“Esta é mais uma declaração irresponsável e leviana” diz ex-diretor do INTO, sobre fala antivacina de Bolsonaro

O médico Osvaldo Leal, ex-diretor do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (INTO), comentou sobre a fala do líder do executivo.

Após comentário do presidente da República, Jair Bolsonaro, associando a vacina contra a Covid-19 à AIDS, muitas pessoas passaram a ir contra a imunização, fortalecendo assim o movimento antivacina que já existia, porém, as declarações já foram refutadas.

O médico Osvaldo Leal, ex-diretor do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (INTO), comentou sobre a fala do líder do executivo.

“Esta é mais uma declaração irresponsável e leviana dentre tantas que vêm sendo ditas pelo presidente da república. Mais uma estupidez dolosa que acaba influenciando a tomada de decisão de uma parcela cativa da população brasileira”, disse o médico.

 Além disso, ressalta que grande parte das pessoas internadas são as que não se vacinaram ainda.

“Atualmente nos EUA mais de 90% das pessoas internadas e mortas por COVID-19 são de pessoas que recusaram a vacinação. Não é diferente no Brasil. Neste sentido o presidente tem responsabilidade direta pelos danos e perdas causadas à sociedade e deve ser responsabilizado por isso”, afirmou.

Leal também falou sobre os efeitos reais, causados pela vacina. “Algumas pessoas podem apresentar efeitos indesejáveis sendo a maioria absoluta destes efeitos considerados leves (dor no local da vacinação, dor de cabeça, mal-estar) limitados a poucos dias”.

Por fim, lembrou um pouco da história da vacinação no país. “O Brasil tem tradição na vacinação de sua população e um dos melhores programas de vacinação do mundo. (…) hoje conta com 18 imunizantes diferentes que protegem de crianças a idosos de doenças infecciosas e infectocontagiosas através da administração de imunobiológicos capazes de estimular o organismo humano a desenvolver proteção contra estas doenças”. Após isso, ele salientou a importância das vacinas, assim como a sua segurança. “As vacinas são seguras e eficazes. Têm garantido ao longo do tempo a proteção da população brasileira contra doenças potencialmente graves como hepatite B, tétano, sarampo, paralisia infantil, febre amarela, por exemplo, e tantas outras que protegem crianças, jovens, adultos e idosos. Não será diferente com a Vacina da COVID.” completa Osvaldo

A pandemia continua

Mesmo com a aplicação da vacina em 37,8% da população mundial e 54,6% da brasileira, a Covid-19 ainda circula pelos ares e espalha o vírus entre a população, que mesmo imunizada, ainda pode ser contaminada, e por consequência, transmitir a doença para pessoas de seu convívio.

No mundo todo, 219.456.675 pessoas já foram infectadas, e dentre elas, 4.547.782 vieram a falecer em decorrência do vírus.

O Brasil, é o terceiro país que mais teve infectados com a doença até então, ficando atrás somente dos Estados Unidos e da Índia, ficando logo à frente do Reino Unido, porém com estatísticas mais alarmantes que estes outros países.

Os norte-americanos, que são os mais infectados, tiveram 45.528.675 habitantes que contraíram o vírus, enquanto isso, o Brasil teve 21.735.560 de infectados (9,9% dos infectados no mundo), ou seja, 23.793.115 a menos, mas a diferença no número de óbitos é 131.722, já que nos EUA 737.526 morreram, enquanto em solo nacional, morreram 605.804 (13,3% dos óbitos no mundo, causados pela Covid-19). Essa diferença mostra que, proporcionalmente, em relação ao número de infectados, se morre muito mais aqui do que nos Estados Unidos.

Se comparado a Índia, o Brasil também tem uma discrepância negativa nos dados, já que, apesar de ter mais infectados (34.202.202 de casos), tem um número proporcionalmente menor, em relação a população, com 25.139 acometidos pelo vírus a cada um milhão de habitantes, enquanto no Brasil, o número é de 102.848. A média global é de 28.223.

Enquanto isso, no estado do Acre, o número de infectados é de 88.038, o que representa 9,7% da população acreana, destes, 1.844 vieram a óbito. Entre os estados brasileiros, é o oitavo com menos casos por 100 mil habitantes, com apenas 9.842. Além disso, é o quinto estado com menor número de mortes, também por 100 mil habitantes, com apenas 206,16. Em relação ao número de casos proporcionais à população, Roraima lidera a lista, e em relação ao número de mortes, Mato Grosso fica em primeiro.