Especialistas avaliam desempenho de Lula e Bolsonaro no primeiro debate do 2º turno

Candidatos à Presidência debateram frente a frente pela primeira vez 2º turno.

Candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) durante o primeiro debate entre os presidenciáveis do segundo turno, transmitido pela TV Bandeirantes no domingo (16)

Especialistas ouvidos pela CNN avaliaram que os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) tiveram desempenhos parecidos durante o primeiro debate entre os presidenciáveis no segundo turno, realizado no domingo (16).

Os temas principais do encontro, organizado pela TV Bandeirantes, Cultura, portal UOL e jornal Folha de S.Paulo e transmitido pela CNN, foram corrupção e pandemia.

A cientista política Deysi Cioccari afirmou à CNN nesta segunda-feira (17) que não houve vencedores. “Acho que os dois candidatos tiveram bons e maus momentos. No saldo geral, acabou sendo um debate positivo”, avaliou.

A especialista disse ainda que o debate não foi suficiente para virar votos e que as campanhas dos dois candidatos devem continuar trabalhando a desqualificação do adversário.

Na avaliação da cientista política, “quando um personagem desqualifica outro, a tendência é que o eleitor entenda que esse personagem que desqualifica tem razão”.

Para o cientista político e CEO da Quaest, Felipe Nunes, Lula foi melhor no primeiro bloco, e Bolsonaro, no segundo. “No primeiro embate, tático, Lula se sai melhor. No segundo embate, estratégico, Bolsonaro se sai melhor”, disse à CNN, na noite de domingo (16).

“Os dois candidatos se prepararam para esse primeiro embate e os dois deixaram com muita transparência o que eles queriam naquele momento. Bolsonaro queria falar com o Nordeste, e Lula queria trazer a Covid para ampliar a rejeição de Bolsonaro, principalmente, no voto feminino”, colocou Nunes sobre o primeiro bloco.

Sobre o embate em que os candidatos tiveram 15 minutos cada, o cientista político avaliou que Lula administrou mal seu tempo.

“Lula, ao perder o tempo do debate, a compreensão daquela dinâmica, permitiu que Bolsonaro utilizasse corrupção, fé, drogas e ditadura no seu discurso para colocar ainda mais a rejeição sobre esses assuntos em Lula. Lula, por outro lado, tentou desviar, ficou chamando Bolsonaro de mentiroso o tempo todo, mas não conseguiu constranger o Bolsonaro em nenhum dos temas que ele trouxe à baila”, comentou.

Ele ainda analisou a presença do ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro no debate, na equipe de Jair Bolsonaro.

“O Moro, para mim, é um personagem fundamental dessa eleição porque representa o que, na minha avaliação, vários eleitores fizeram no final do primeiro turno. […] Houve vários eleitores que votaram em Bolsonaro em 2018, abandonaram Bolsonaro, mas, na hora H, quando viram a chance de Lula vencer, foram lá e votaram no Bolsonaro”, destacou.

Para o analista da CNN Fernando Molica, ficou claro que Lula tem dificuldade de abordar o tema da corrupção. “Ele tem dificuldade de contra-atacar citando casos de suspeita de corrupção que envolvem o governo Bolsonaro, a família Bolsonaro”, disse.

Para o analista Alexandre Borges, Bolsonaro apresentou estratégias vitoriosas. “O que Bolsonaro faz, eu acho que nesse ponto ele está vencendo o Lula, ele pega qualquer tema e cria um bordão, uma abordagem forte, ele se vira, até nos temas que, em tese, ele teria mais dificuldade, como o Bolsa Família”, colocou.

Boris Casoy destacou que Lula conseguiu “emparedar” Bolsonaro no tema da pandemia e o atual presidente conseguiu “emparedar” o candidato do PT no tema da corrupção. Para o analista, Bolsonaro teve dificuldade de destacar suas ações durante a pandemia e Lula ficou “visivelmente constrangido” ao tentar se defender sobre o tema da corrupção.

O cientista político Bruno Bolognesi tem avaliação semelhante à do comentarista da CNN. Para ele, “o maior certo de Lula no debate foi ter insistido na pandemia”. Por outro lado, “Bolsonaro acerta muito sobre não conseguir tirar uma explicação de Lula sobre corrupção”.

“Acho que a gente pode dizer que ganha quem conquista mais indecisos. O debate não tem muito essa proposta de apresentar grande programas de governo, grandes propostas, o que é lamentável. Nesse sentido, Lula sai a frente a medida em que ele apresentou mais projetos”, completou Bolognesi.

“Eu acho que houve empate no debate, essa é uma impressão minha”, disse Casoy. Para ele, os dois assuntos principais já eram esperados para o debate e nenhuma novidade foi trazida à tona.

Segundo debate

Nesta semana ocorre o debate presidencial de segundo turno promovido pelo pool de veículos de imprensa formado por CNN Brasil, SBT, Estadão/Eldorado, Veja, Terra e NovaBrasilFM.

O evento está marcado para a sexta-feira (21), às 21h30, e será mediado pelo jornalista Carlos Nascimento. Caso Lula ou Bolsonaro não compareça, o candidato presente será entrevistado pelos jornalistas do pool sobre temas de planos de governo.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) já confirmou presença. Os veículos ainda aguardam resposta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).