Empresa investigada por fraude em licitações de publicidade na Aleac cobrava mais de R$ 100 mil por 2h de filmagem, diz PF

Empresária Charlene Lima foi presa junto com outras seis pessoas e mais dois servidores da Aleac em Operações da Polícia Federal. Reportagem teve acesso exclusivo às notas fiscais que comprovariam superfaturamento de mais de 155%.

A empresa CL Publicidade, contratada para prestação de serviços de publicidade para a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) e investigada por fraudes em licitações, cobrava mais de R$ 100 mil por duas horas de filmagem.

A informação é da Polícia Federal que analisou notas fiscais apreendidas e comparou com preço cobrado no mercado. Conforme o levantamento da PF, a empresa de Charlene Lima, presa no último dia 13 na Operação Hefesto, cobrava três vezes mais que o valor de mercado.

A Rede Amazônica Acre teve acesso com exclusividade às notas fiscais que, segundo a Polícia Federal, comprovariam superfaturamento de mais de 155% em serviços de publicidade entre a empresa e a Aleac.

Os documentos foram apreendidos durante as operações “Hefesto”, deflagrada no último dia 13 de setembro, e “Hora Certa”, deflagrada no dia 18 de setembro. Ao todo, foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão e de prisão.

Preço do serviço acima do praticado no mercado

Entre o material apreendido, a PF teve acesso a documentos que mostram indícios de superfaturamento e sobrepreço, especialmente referentes a filmagens das sessões da Aleac.

Em um processo de cotação de preços para aluguel de uma câmera digital e serviços de filmagens de sessões foram apresentados orçamentos nos valores de R$ 2,5 mil, R$ 2,8 mil e de R$ 3 mil.

Já os preços da Criativa Publicidade Limitada, subcontratada pela empresa CL Publicidade, de Charlene Lima, presa durante a operação da PF, ficaram bem acima dos praticados pelo mercado.

Em uma das notas fiscais, pelo mesmo serviço de filmagem de uma sessão, foi cobrado R$ 92 mil. Tem ainda uma de R$ 93,5 mil e outra no valor de R$ 103,5 mil por 2 horas de filmagem.

Os investigadores da PF fizeram ainda uma comparação. Considerando o valor de R$ 3 mil, o maior entre os orçamentos que não foram contratados, multiplicado por 12 sessões, que é a média por mês, daria um total de R$ 36 mil. Ainda bem inferior aos praticados pela Criativa Publicidade.