“Dormir na embaixada, tem algum crime nisso?”, questiona Bolsonaro

São Paulo — Intimado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a explicar a estadia na Embaixada da Hungria dias após ter seu passaporte apreendido Polícia Federal (PF) na operação que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) questionou, ao ser abordado por jornalistas nesta segunda-feira (25/3), se era crime dormir na embaixada.

A visita de Bolsonaro ao local, em fevereiro, foi revelada por reportagem do jornal norte-americano The New York Times publicada nesta segunda, com vídeos de câmera de segurança que mostram o ex-presidente na embaixada. Após a revelação, Bolsonaro confirmou ao colunista Igor Gadelha que passou duas noites no local, dizendo que mantém “um círculo de amizade com alguns chefes de Estado pelo mundo”, sem falar sobre o motivo da estadia.

“Não há crime nenhum nisso. Porventura, dormir na Embaixada, conversar com o embaixador, [tem] algum crime nisso?”, disse Bolsonaro a jornalistas, na saída do evento em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro recebeu o título de cidadã paulistana no Theatro Municipal, no centro da capital paulista.

“Quer perguntar da baleia? Vamos falar do negócio da Marielle Franco? Eu passei seis anos sendo acusado de ter matado a Marielle Franco”, completou Bolsonaro, referindo-se ao caso em que ele é investigado por importunação a uma baleia no litoral paulista e às prisões dos três suspeitos de serem os mandatos do assassinato da vereadora do PSol no Rio de Janeiro. “Vamos falar dos móveis do [Palácio da] Alvorada, que eu fui acusado de ter desviado 261 móveis do Alvorado”, emendou.

O ex-presidente disse que está sendo perseguido e depois enumerei uma série de ações do seu governo, como a criação do Pix e a conclusão das obras de transposição do Rio São Francisco, no Nordeste. “Chega de perseguir, meu Deus do céu. Dá um pouco de paz pra mim. Veja o que fiz de bem no Brasil”, afirmou.

Estadia na Embaixada da Hungria

O ex-presidente chegou à Embaixada da Hungria no dia 12 de fevereiro, uma segunda-feira. A estadia durou até quarta seguinte, 14 de fevereiro. Além das câmeras de segurança, o jornal norte-americano New York Times contou com imagens de satélite que mostram o carro de Bolsonaro no local. Bolsonaro tem uma relação de proximidade com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que representa a extrema-direita no país europeu.

Em 8 de fevereiro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Tempus Veritatis, para investigar organização criminosa que atuou em uma suposta tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito. Entre os alvos também estavam pessoas do entorno do ex-presidente.

Em nota, a defesa de Bolsonaro afirmou que é de conhecimento público que o ex-mandatário do país mantém um bom relacionamento com o premier húngaro.

Veja a íntegra do posicionamento:

“O ex-presidente da República Jair Bolsonaro passou dois dias hospedado na embaixada da Hungria em Brasília para manter contatos com autoridades do país amigo.

Como é do conhecimento público, o ex-mandatário do país mantém um bom relacionamento com o premier húngaro, com quem se encontrou recentemente na posse do presidente Javier Milei, em Buenos Aires.

Nos dias em que esteve hospedado na embaixada magiar, a convite, o ex-presidente brasileiro conversou com inúmeras autoridades do país amigo atualizando os cenários políticos das duas nações.

Quaisquer outras interpretações que extrapolem as informações aqui repassadas se constituem em evidente obra ficcional, sem relação com a realidade dos fatos e são, na prática, mais um rol de fake news.”