Economia acreana continua em retração com queda de empregos e expectativa para o verão

Dados do Observatório do Desenvolvimento, uma espécie de setor de inteligência do Fórum Permanente de Desenvolvimento do Acre, apontam que o Acre perdeu mais vagas de emprego formal do que gerou no primeiro bimestre de 2019. Enquanto 777 postos de trabalhos com carteira assinada foram fechados no estado em janeiro deste ano, apenas 40 novas funções formais foram geradas no mês de fevereiro. Com a economia acreana em retração, a expectativa é de que com a chegada do verão amazônico, período de estiagem na região, a situação seja amenizada no estado.

Isso porque é nas épocas de poucas chuvas que o Estado e os municípios acreanos executam obras estruturantes que aquecem a economia local. A Prefeitura de Rio Branco, por exemplo, anunciou investimento na ordem de R$ 50 milhões para a recuperação da malha viária da cidade, que deve iniciar no fim deste mês e movimentar setores importantes da economia. Já o Governo do Acre lançou no início deste mês um pacote de investimentos de R$ 838,9 milhões para execução de obras no setor da construção civil. A expectativa é de que cerca de 18 mil empregos sejam criados.

A medida pretende agilizar a manutenção de rodovias, a finalização da verticalização do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), da Unidade de Pronto de Atendimento (UPA) de Cruzeiro do Sul, do Hospital Regional do Alto Acre e a construção de 1.240 unidades habitacionais. Coordenador Técnico do Fórum Permanente de Desenvolvimento, Orlando Sabino explica que a crise econômica, a redução do volume de obras executados pelo Estado e municípios no período chuvoso e a redução de repasses federais contribuem para retração econômica local.

“A indústria, como quase todas as atividades, principalmente a construção civil, ela vai muito a reboque dos investimentos públicos do Governo Federal e, ainda mais, do Estadual. No momento em que se tem crise de investimento público – fatores como mudança de governo, a própria crise econômica e o planejamento que o Executivo faz para se organizar –, também há desaceleração da maioria dos setores econômicos. E no Acre essa situação é mais acentuada porque desde o ano passado esses investimentos feitos pelo Estado caíram vertiginosamente”, pontua o coordenador.

De acordo com Observatório do Desenvolvimento, somente na construção civil 374 vagas formais de trabalho foram fechadas nos dois primeiros meses de 2019. Apenas a indústria de transformação, puxada pelo setor de alimentos, gerou saldo positivo de 59 novos postos formais de emprego durante o período. Outro destaque bastante tímido do bimestre foi o setor de comércio, que mesmo sofrendo queda acumulada nos últimos cinco meses vem se mantendo forte conforme afirma o coordenador técnico do Fórum Permanente de Desenvolvimento do Acre.

“É uma área [comercial] que mesmo com a crise apresenta indicadores superiores em relação as demais. O dinamismo da economia é o principal caminho para não se ficar refém dos investimentos públicos, principalmente no Acre. Precisamos criar um mercado forte com as principais empresas do estado fazendo investimentos no setor privado, como financiamento de casas sem intermédio governamental. Mas é algo bastante difícil em um cenário de retração econômica nacional. A dependência do governo ainda é grande, mas já foi bem maior”, diz Sabino.

O coordenador técnico pontua que enquanto o comportamento do setor comercial no Acre – que em 2017 empregou juntamente com o setor de serviços 87% da mão de obra no setor privado do estado – vem com um desempenho melhor do que nos outros estados do Brasil, o setor de serviços entrou em uma recessão que tem trazido os piores resultados do país atingindo as áreas imobiliária, hoteleira e outras. Apesar disso, ele observa que o comércio não gera valor como a construção civil, indústria e agricultura, apenas faz o intermédio pelo que é produzido pelos demais.

“O que faz a economia crescer são os setores agrícola e industrial, eles que dão substância para a área. Os outros setores são meros intermediários da produção desenvolvida pelos já citados. Mesmo com a expectativa de que o pacote de investimentos do governo reaqueça a construção civil, é ela que gera bons resultados a curto prazo devido ao alto poder de absorção, as 18 mil vagas que poderão ser geradas não soluciona o problema o problema do desemprego no Acre, o último dado que temos, de dezembro de 2018,  aponta que temos 46 mil desempregados”, finaliza Sabino.