Democracia, Era da informação e Dinossauros

Em um sistema democrático direto, alicerçado na premissa fundamental do poder de escolha e participação direta nas decisões políticas, a busca pela representatividade autêntica e inclusiva é essencial para o funcionamento saudável da sociedade. Porém, quando indivíduos que buscam concorrer a cargos políticos majoritários são impedidos pelo crivo partidário, é inevitável questionar se os princípios democráticos estão sendo verdadeiramente respeitados ou se estamos presenciando a perpetuação de uma busca incansável pelo velho “poder pelo poder”.

A capacidade de escolha é o cerne de qualquer democracia, permitindo que os cidadãos exerçam seu direito de voz e voto, influenciando os rumos do país, estado ou de um município. Em um contexto onde a era da informação possibilita maior acesso a conhecimento e opiniões divergentes, é crucial que a diversidade de candidatos seja incentivada e não restringida. Afinal, a pluralidade de ideias é um dos pilares para a evolução e o progresso político e social.

Contudo, a realidade nem sempre corresponde a esse ideal. A imposição de barreiras partidárias que impedem candidatos de participarem de disputas eleitorais por motivos alheios às suas qualificações e visões pode minar a legitimidade do próprio sistema democrático. Tal prática pode limitar a representatividade de minorias e segmentos da sociedade, reforçando o controle do poder político nas mãos de poucos.

Portanto, é válido questionar a atuação de partidos políticos que agem como guardiões do processo eleitoral, decidindo quem pode ou não concorrer, muitas vezes com base em interesses próprios e alianças estabelecidas nos bastidores. A democracia não deve ser refém de poucos atores que moldam o cenário político de acordo com seus interesses particulares, mas sim uma plataforma onde a vontade do povo seja livremente expressa e respeitada.

Com a era do conhecimento ou informação em pleno vigor, a sociedade é constantemente lembrada da necessidade de avançar e se adaptar. No entanto, é preciso estar ciente de que há forças conservadoras, os chamados “dinossauros”, que resistem às mudanças e insistem em manter o status quo para assegurar sua posição de poder. Esses atores podem agir nos bastidores, minando a diversidade de candidaturas, a fim de proteger seus interesses e limitar a renovação política.

Portanto, é dever da sociedade estar vigilante e ativa, defendendo a verdadeira essência da democracia direta e cobrando uma participação mais ampla e inclusiva no processo político. Através do uso consciente da informação, a população pode romper com as barreiras impostas pelos “dinossauros”, ampliando a pluralidade de ideias e perspectivas na esfera política.

Em síntese, a democracia direta exige a participação ativa e o poder de escolha dos cidadãos. Quando obstáculos partidários são colocados para restringir candidaturas, a essência democrática é ameaçada.


Hugo Costa
Bacharel em Ciência Política pela UFAC