CPI da Covid racha sobre enquadrar Bolsonaro como genocida

O relator, Renan Calheiros, está decidido a responsabilizar o presidente pela morte de indígenas durante a pandemia, gerando ampla repercussão internacional

A possibilidade de Jair Bolsonaro ser responsabilizado por genocídio contra indígenas divide a CPI da Covid. O relator, Renan Calheiros, já está decidido a apontar o presidente como culpado por mortes causadas por omissões do governo em relação aos povos tradicionais.

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Dois senadores do grupo majoritário da CPI já disseram em debates internos que não estão convencidos do indiciamento de Bolsonaro por genocídio: o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), e Eduardo Braga (MDB-AM). Caso o racha persista e Renan mesmo assim enquadre Bolsonaro no crime, o consenso no grupo será quebrado e a questão, decidida no voto.

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Senadores do grupo devem votar em peso no indiciamento de Bolsonaro por crime contra a humanidade. Mas alguns deles dizem que, apesar de o presidente ser chamado de “genocida” nas redes sociais e em manifestações, ainda não está claro se a política dele em relação aos indígenas poderia ser enquadrada desta forma. Para isso, seria necessário provar que ele pretendia exterminar, de fato, os povos tradicionais.

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Renan Calheiros baseia seu entendimento em informações coletadas na CPI e também em pareceres jurídicos entregues à comissão. “Foram todos unânimes”, diz o relator sobre a eventual responsabilização de Bolsonaro por genocídio.

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Os dados mostram, entre outras coisas, que a letalidade da doença entre indígenas foi maior do que entre povos não tradicionais: 6,8% contra 5%. E aponta para uma possível subnotificação de casos.

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