Como retomar os exercícios após a infecção por Covid-19

Futebol, basquete, vôlei e, claro, corrida, exigem o corpo humano. Mas os resquícios da pandemia podem ser um problema para esportistas, profissionais ou amadores.

“A atividade física é um ‘remédio’ que auxilia no tratamento do paciente que teve covid-19. O treino deve ter uma carga adequada, pois tem o objetivo de melhorar a sua saúde, não o desempenho físico”, comentou Paulo Zogaib ao UOL em entrevista recente. Ele é médico especialista em medicina esportiva e fisiologia do exercício, chefe do ambulatório de avaliação da Medicina Esportiva da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Dados atuais sugerem que entre 10 a 30% dos pacientes apresentam sintomas de Covid por semanas a meses após a infecção. E embora ainda não se saiba muito sobre isso, fisiologistas e médicos apontam que as reclamações têm muita relação com a síndrome da fadiga crônica.

Essa síndrome é conhecida pelo cansaço excessivo, que dura mais de 6 meses, e que não tem causa aparente, mas que piora ao realizar atividades físicas. No caso da pandemia, uma grande quantidade de pessoas têm apresentado um mal-estar pós-esforço, com exacerbação dos sintomas após algum tipo de atividade.

Por isso, alguns especialistas têm tentado mudar a maneira de programar exercícios para quem está se recuperando da Covid, mas gosta de correr, pedalar ou praticar algum esporte. Até porque, longos períodos de repouso também tem influência no modo como nosso corpo responde aos estímulos, com ou sem a doença.

O primeiro passo é: descanse por pelo menos 10 dias após o primeiro dia em que você começar a apresentar sintomas, sejam eles leves ou não. Se estiver assintomático, o repouso pode ser de 7 dias, mas é importante dar esse descanso ao corpo, já que ele está enfrentando uma infecção perigosa e para qual não há remédio específico, apenas a vacina.

Você também deve estar livre de sintomas por pelo menos 7 dias antes de pensar em se exercitar novamente. Portanto, se você estiver com sintomas por 10 dias, descanse por 7 dias sem sintomas, isso significará 17 dias de folga.

Após a recuperação, é importante não acelerar o processo. É possível dividir esse retorno em 5 fases, que devem ser seguidas para evitar problemas maiores e não sobrecarregar o corpo.

Na primeira fase, é importante fazer exercícios para respiração, flexibilidade, alongamento e equilíbrio. São preparativos e ajudam o corpo a entender o que vai acontecer. Aqui também poderá ser feita uma caminhada suave, sem forçar.

Após esse primeiro estágio, o nível pode subir um pouco, com caminhadas leves de 10 a 15 minutos, e ioga, caso seja praticante. Sempre com baixa intensidade. Especialistas afirmam que, para aumentar a dificuldade, é preciso que você esteja caminhando por 30 minutos com facilidade. Antes disso, vá com calma.

A progressão para a próxima fase sugere um treino aeróbico, mesclando com força e intensidade moderada. Um exemplo disso são 2 intervalos de exercícios aeróbicos de 5 minutos separados por 1 bloco de descanso – adicione um intervalo por dia conforme tolerado

Para aumentar a carga, os fisiologistas aconselham fazer o circuito por 7 dias, e só avançar quando você conseguir realizar sessões de 30 minutos e se sentir recuperado em uma hora. Mas é importante deixar um recado: respeite os seus limites e não force. Caso sinta desconforto, pare os exercícios e procure o auxílio médico.