Comando Vermelho pode ter ordenado execução de agente penitenciário

A morte do agente penitenciário (agepen), Romário Cavalcante Alexandrino, 28, executado a tiros na noite de terça-feira, 22, em sua residência localizada na Vila do V, município de Porto Acre ainda é um mistério.

Alexandrino e um amigo foram baleados quando cinco homens encapuzados chegaram ao local e efetuaram pelo menos 17 disparos. As vítimas chegaram a ser socorridas por paramédicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas o agente penitenciário não resistiu aos ferimentos e morreu no momento em que era atendido no setor de emergência do Pronto Socorro de Rio Branco.

Romário Alexandrino trabalhava no pavilhão onde estão os presos provisórios, mas também cuidava dos pavilhões onde estão os presos do Comando Vermelho (CV) e sentenciados.

Na terça-feira pela manhã ele integrou a equipe do Iapen que participou da varredura dentro da penitenciária Francisco D’Oliveira Conde, onde foi encontrado uma pistola .40, munições, facas de fabricação artesanal e entorpecentes.

De acordo com o presidente da Associação dos Servidores do Sistema Penitenciário (Asspen), José Janes após a revista minuciosa realizada dentro do presídio, presos ligados ao CV começaram a “bater grades”.

“É lamentável perdermos um amigo de forma tão cruel. Tudo isso em represália ao que aconteceu na terça-feira pela manhã. Já prevíamos que os membros da facção iriam revidar, pois ao fim da revista eles começaram a ‘bater grades’, e por conta disso estávamos em alerta, só não esperávamos que seria dessa forma”, comentou José Janes.

Apesar de não admitir, mas existe uma mobilização por parte de agentes penitenciários, policiais civis e militares para que as visitas íntimas sejam suspensas por tempo indeterminado, ou até que os autores do crime sejam identificados e presos. Como forma de proteção, os agentes ainda estão formando equipes de três e até quatro pessoas para escoltar os colegas que moram em bairros onde as facções criminosas estão enraizadas.

Tatuagem pode identificar um dos autores da execução

Uma tatuagem com as iniciais ‘CV’, alusiva a facção Comando Vermelho, pode ser a evidência chave para a polícia chegar até aos autores da morte do agente penitenciário Romário Alexandrino.

Enquanto aguardava o socorro médico após ser baleado, Alexandrino falou para algumas pessoas que estavam no local, inclusive ao seu cunhado, que também foi atingido pelos disparos, que teria visualizado uma tatuagem com as letras CV no braço de um dos criminosos.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), por meio de sua assessoria não confirmou a informação.

A ordem é endurecer o sistema

Um agente penitenciário, que por questões de segurança pediu para não ser identificado, afirmou à reportagem do OPINIÃO que a ordem é “endurecer” com os presos.

“Não abaixaremos a cabeça para o crime. As visitas íntimas serão suspensas, se a revista aos visitantes era pesada, vai ficar pior. A partir de agora as coisas vão ficar muito ruim pra presos de facções dentro da FOC”, disse o agepen.

Bloqueador de celular pode causar aumento na violência em Rio Branco

O agente comentou ainda sobre a possível instalação de bloqueadores de sinal de celulares no complexo prisional Francisco D’Oliveira Conde (FOC). De acordo com o agepen a implantação dos equipamentos, que custará aos cofres públicos cerca de R$ 2 milhões por ano, pode ter um efeito contrário do que a redução da criminalidade.

O carcereiro teme que a implantação dos bloqueadores desencadeie uma onda de violência em represália ao endurecimento do sistema carcerário.

“Temos exemplo do que aconteceu no Maranhão. O que tememos é que com a instalação desses aparelhos os membros das facções executem ações criminosas em todo o Estado em represália a essas medidas. Quero esclarecer que não sou contra a instalação dos equipamentos, só acho que tem que ser algo bem pensado para que o efeito não seja o contrário do esperado”, enfatizou.

A aquisição dos equipamentos foi publicada no Diário Oficial do Estado na edição de quarta-feira, 22. O contrato assinado pela empresa Polsec e Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) terá um custo de R$ 2 milhões/ano.

Segundo ata publicada também na edição, o objetivo é manter a prestação de serviços contínuos de Bloqueio de Sinais de Radiocomunicadores (BSR), por meio de uma Solução de BSR, abrangendo todos os recursos logísticos, tecnológicos, infraestrutura necessários ao seu perfeito funcionamento.