Com ruas mais iluminadas, moradores de Boca do Acre curtem hábitos tradicionais, no período noturno

Tomar à noite, na calçada, o famoso tereré, bebida refrescante feita de erva mate, vem se tornando comum no município, depois da implantação do LED

Após a conclusão da instalação das luminárias públicas de LED em Boca do Acre, agora, a população local passa mais tempo nas ruas e aproveita para fortalecer uma tradição: tomar com os amigos e familiares o tereré, bebida refrescante feita de erva mate. O tereré é típico da região Sul do Brasil e também conquistou o coração dos bocacrenses.

Como o verão amazônico está no auge, com temperaturas passando dos 35 graus, a luminosidade dos bairros contribuiu para que essa rotina fosse estendida até à noite, já que o calor não dá trégua, mesmo após o pôr do sol.

O estudante João Neto, de 18 anos, mora na rua José Barros, no Platô do Piquiá, um dos locais contemplados com a nova tecnologia. Logo nos primeiros dias, ele diz que já percebeu que as noites seriam diferentes após a chegada do LED.

“A iluminação na minha rua ficou muito boa e agora dá para fazer coisas que eu não fazia antes, como tomar ‘téres’ aqui na frente de casa, porque a rua era muito escura e agora dá pra fazer de tudo”, contou.

Outra moradora, Nonata Avelino, também comemorou a chegada da nova iluminação na sua rua, no Piquiá.

“A iluminação ficou muito boa. A gente se sente até mais seguro agora, porque a nossa rua era muito escura e agora está bem iluminada”, declarou.

Neste mês de setembro, Boca do Acre recebeu 2 mil luminárias de LED, que substituem as lâmpadas convencionais a vapor de mercúrio, vapor metálico, de sódio e mistas e proporcionam mais claridade às ruas e demais locais públicos.

A diferença entre os dois tipos de iluminação pública vai além da percepção de luminosidade e cor (do amarelado para o branco).

Os serviços de modernização da iluminação pública do interior estão sendo coordenados pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) do Governo do Amazonas.

O coordenador executivo em exercício da UGPE, Leonardo Barbosa, destaca que um dos benefícios mais significativos da nova tecnologia é para com o meio ambiente.

A substituição das lâmpadas antigas pelas modernas luminárias de LED contribui para a descarbonização.

“Sabemos que a energia elétrica para os municípios do interior é predominantemente gerada das termelétricas, que queimam combustível fóssil para fornecer energia. Então, quando você diminui o consumo de energia elétrica de um município, substituindo uma lâmpada por uma luminária mais eficiente, essas termelétricas são acionadas em menor frequência”, salienta.

Segundo o engenheiro eletricista da Avanço Construções, Josenaldo Prazeres, um dos responsáveis pelos trabalhos no interior do Amazonas, a durabilidade das luminárias de LED é 10 vezes maior em relação às que foram retiradas no parque público.

“As anteriores precisavam passar por manutenção todos os anos, enquanto as novas duram, no mínimo, 10 anos, sem necessidade de substituição. Além disso, há, ainda, a garantia de cinco anos do próprio fabricante das luminárias”, diz Prazeres.

A iluminação de LED já está presente em 19 municípios amazonenses. Ao todo, a modernização alcançou também 24 comunidades do Estado. A primeira cidade contemplada com a nova tecnologia foi Maués.

No município o serviço foi executado durante a realização do Prosai Maués, servindo de projeto piloto para a implantação do programa.

Até o final do ano o programa vai contemplar 29 cidades. Desde o início dos trabalhos, em maio deste ano, 35,7 mil pontos de iluminação pública de LED já foram instalados.

FOTO: Thiago TagoTexto: Ana Maria Reis