Coluna Opinião: Situação delicada

Levantamento inédito feito pelo OPINIÃO mostra que as mortes de idosos por Covid-19 continuam acontecendo no Acre, mesmo com a imunização iniciada com esse grupo prioritário. Uma análise detalhada dos boletins da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), entre o dia 20 de janeiro até a última segunda-feira, 5 de abril, aponta que a vacinação ainda não impactou positivamente na faixa etária dos acreanos acima dos 70 anos. Eles continuam morrendo pela doença sem que se perceba uma redução significativa no número de óbitos nestas datas analisadas.

No dia 27 de fevereiro, por exemplo, oito dias, portanto do início da vacinação, a Sesacre registrava a morte de pelo menos cinco idosos com idades entre 81 e 87 anos, pacientes que tinham sido internados nos hospitais de referência para Covid-19. Em março, o número de mortes entre pessoas da terceira idade aumentou ainda mais. Foi para 97 entre as vítimas acima dos 70 anos, sendo sete o maior número de mortes registradas em um único dia, a sexta-feira, 5.

Em que pese os esforços do governo do Estado e das prefeituras na imunização de suas populações, o Acre continua na lista dos que menos vacinaram no país. No estado, o total de 47.044 vacinados que receberam a primeira dose equivale a apenas 5,26% da população, de acordo com o Consórcio Nacional de Imprensa. E dos 11.926 imunizados que receberam a segunda dose equivale a apenas 1,33% da população do Estado.

Além de uma ação mais eficaz por parte do poder público com relação a vacinação, – e nesse ponto parabenizo o vereador Emerson Jarude por sua incansável cobrança -, é necessário também que a população responda ao chamamento da vacinação. Epidemiologistas são unânimes em afirmar que somente com uma vacinação eficaz e constante, em consonância com a adoção de medidas de distanciamento social, com o uso de máscara e de higienização das mãos, será possível reduzir o número de contaminações e, consequentemente, o número de óbitos.

É necessário conscientização de todos os lados!!

ESCLARECIMENTOS

Por falar em vacinação contra a Covid-19, o deputado Jenilson Leite (PSB) questionou ontem, 6, durante sessão virtual da Aleac o andamento da aquisição da vacina Sputnik V. o que tem causado preocupação do deputado é a baixa vacinação. “Se esses forem os números que estão nos jornais, a gente não está aplicando nem o que está chegando”. É o que diz.

PROBLEMA

Jenilson apresentou gráficos de estudos mostrando que em julho o Brasil pode ter quase 600 mil mortos pelo novo coronavírus. “Vacina que chega e não é aplicada é um problema. Cadê a máscara? Cadê a fiscalização?”, questionou.

PARLAMENTO ESTADUAL

Outros deputados também debateram sobre a pandemia da Covid-19 no Acre. Legítima também a preocupação do deputado Fagner Calegário quanto ao baixo índice de vacinação. Ele que se recupera da doença sabe bem da importância do imunizante e das medidas sanitárias para evitar a propagação. Porém, chegamos em um ponto que apenas debater não resolve mais a questão. Medidas resolutivas são necessárias! Importante o apoio do parlamento estadual.

SUGESTÃO

O deputado Gehlen Diniz (Progressistas) sugere que o Fundo Eleitoral seja usado no combate a pandemia do novo coronavírus. No entendimento dele, os parlamentares tem mais que o dever de atuar no cenário da pandemia. Não deixa de ter razão. A grande questão é: quem vai comprar sua ideia?

PONTUAL

Gladson Cameli sinalizou no último sábado que provavelmente no próximo final de semana não haverá mais lockdown. O deputado Roberto Duarte (MDB) comprou a ideia e fez um questionamento interessante: Por que fechar o comércio nos fins de semana, pois as aglomerações retomam com força total na semana?

SEM CHANCE

Não adianta segurar no calcanhar do governador Gladson Cameli e cobrar redução no ICMS do combustível. Já bateu o martelo que essa medida é inviável, pois gera um grande impacto na folha do Estado. Se Cameli fizesse isso teria que achar uma nova forma de arrecadação para compensar a perda. E como fazer isso em tempos de pandemia?

SEM CONSENSO

A iniciativa até chegou a ser tratada durante reunião do governador com representantes do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), porém, não houve consenso. “A redução do diesel é certa, assim que o Confaz autorizar vamos baixar um decreto. Mas, o ICMS do combustível não tem como baixar, causa impacto na arrecadação e eu não teria como pagar a folha de pagamento dos servidores”, explicou ELE.

Redução do diesel

O secretário de Fazenda do Acre, Rômulo Grandidier, revelou que estará fazendo uma adesão 69/2019 ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) para que possa ser feito a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) relacionado ao diesel, referente ao transporte de passageiros no Estado. De acordo com Rômulo, a alíquota cobrada pelo governo hoje é de 17%, com a redução, a porcentagem pode cair para 15% ou 12%. É o que pode ser feito.

REVERBEROU

A alegação do vice-governador Major Rocha de que teria faltado planejamento do governo do Estado no enfrentamento da pandemia reverberou na Aleac ontem. O deputado Pedro Longo, líder do governo na casa do Povo, destaca que “o Acre deu um show de competência e capacidade de gestão, especialmente quando comparado com o desempenho de Estados vizinhos, como Rondônia e Amazonas”. Concordo!

CRIAÇÃO DE NOVOS LEITOS

Outro ponto levantado foi a rápida capacidade do Estado em criar novos leitos, especialmente para o tratamento da Covid. “Saímos de um quantitativo de 54 leitos assistenciais, sendo apenas 2 de UTI, em março de 2020, para 317 em fevereiro de 2021, sendo 106 de UTI. Foi um esforço gigantesco na ampliação de vagas, contratação de pessoal e aquisição de insumos”.

AGINDO COMO ESTADISTA

Mencionei isso na coluna de ontem e volto a repetir hoje. O governador Gladson Cameli tem conduzido de forma positiva as ações do Estado para conter o avanço da Covid-19 no Estado. Quando necessário tem adotado medidas mais severas. Tem agido, sim, como estadista! Colocou o bem da coletividade acima de qualquer argumento. E não está errado, afinal, não existe preço quando se trata de vida. Cameli age de fato como governador e até aqui tem conduzido bem as ações para combater a pandemia.

LEVANDO EM CONSIDERAÇÃO

O deputado Daniel Zen (PT) fez uma denúncia no plenário da Aleac que deve ser levada em consideração. disse que mortes de pacientes estariam acontecendo na UTI do Into por imperícia. Zen diz que falta experiente entre o corpo clínico do Into no momento da intubação e extubação tem sido um ponto importante no agravamento dos pacientes.

DENÚNCIA

“Priorizou-se muito a ampliação dos leitos de UTI. Moral da história? Atendimento de péssima qualidade na UTI do Into porque não tem intensivistas suficientes. Os profissionais, são profissionais, com todo respeito, são profissionais guerreiros, estão aí lutando, mas muito deles recém-saídos da faculdade. Nunca entubaram um paciente. Tem notícias de paciente que morreu de sede na UTI porque o pessoal depois que entubou, superventilou o cara, não sabe que tem que molhar a boca do cara com algodão, pô. Não sou da área médica, mas a gente tem uma noção. A gente recebe todo tipo de notícias, gente que morre no processo de intubação e extubação”.

“O vírus não discrimina. Não faz distinção racial ou de gênero. Pega o rico, pega o pobre”, disse, sugerindo pegar o Fundo Eleitoral, previsto em R$ 7 bilhões para o ano que vem, e investir no enfrentamento à pandemia”.

Deputado Gehlen Diniz, do Progressista, ao sugerir o uso do Fundo Eleitoral para combater a pandemia do novo coronavírus