Ciência descobre nova espécie de catita predominante no Acre

Os cientistas deram o nome de Saci a uma nova espécie catita predominante no Acre e outros dois Estados da Amazônia. Trata-se de um pequeno marsupial batizado de Monodelphis saci, em homenagem à entidade do folclore brasileiro conhecida por travessuras e por usar um gorro vermelho com poderes mágicos.

O nome Saci, de acordo com Silvia Pavan, autora líder do estudo que descreve a espécie, se deve ao visual do animal: a tonalidade avermelhada de sua cabeça se destaca diante da cor amarronzada da pelagem de seu corpo. Representantes do gênero Monodelphis são popularmente conhecidos como catitas (ou cuícas-de-cauda-curta). São da mesma família do gambá – conhecido na Amazônia como mucura – mas bem menores (variam de 7 a 20 centímetros de comprimento). Possuem hábito terrestre a semi-fossorial, o que quer dizer que apresentam algumas adaptações físicas para cavar e realizar atividades no subsolo. Para a espécie em questão, Monodelphis saci, o comprimento do corpo é de cerca de 10 centímetros.

Em 2008, quando ainda era aluna do Mestrado em Zoologia do Museu Goeldi/Universidade Federal do Pará, a Dra. Silvia Pavan analisou dois exemplares do gênero Monodelphis trazidos de uma coleta na Floresta Nacional do Crepori, Itaituba (PA). Ao estuda-los, a pesquisadora identificou um como pertencente à espécie Monodelphis glirina e o outro pertencente a uma espécie ainda sem nome, por possuir características diferentes de outras já registradas.

A descrição e reconhecimento formal de novas espécies contribuem para o conhecimento básico sobre a diversidade e distribuição da fauna na Amazônia na atualidade. A partir daí, vários caminhos se abrem. Além do Acre, esse espécie de catita pode ser encontrada no Pará, Mato Grosso e Rondônia.