Centrão apelida Guedes de ‘liberal de Taubaté’ após PEC que estoura o teto

Incomodados com a demora do governo federal para resolver o impasse sobre a sanção do Orçamento, parlamentares do Centrão já atribuem o apelido de “liberal de Taubaté” ao ministro da Economia, Paulo Guedes. A reação ocorre em meio aos rumores de que o chefe da equipe econômica trabalha em uma proposta de emenda constitucional (PEC) que abarcaria uma série de gastos extraordinários, como BEm, Pronampe e despesas discricionárias da Saúde.

A referência a Taubaté remete a história ocorrida em 2012, quando uma moradora da cidade paulista inventou estar grávida de quadrigêmeos, ganhou repercussão nacional, mas acabou tendo que admitir a farsa.

O objetivo do projeto seria garantir a abertura de espaço no teto de gastos para as emendas que eventualmente serão vetadas na proposta de Orçamento. Com isso, parte desses gastos de parlamentares seriam permitidos posteriormente, por crédito suplementar ao Orçamento, após a mudança constitucional.

Reservadamente, deputados do Centrão afirmam que há “uma ingenuidade política” por parte de Guedes por acreditar que a proposta “pode ser uma solução mágica para o impasse em torno do Orçamento”. Eles lembram que o próprio ministro concordou com os termos da peça orçamentária e ainda resistem a eventuais vetos do presidente Jair Bolsonaro

Para sustentar a resistência à proposta, parlamentares destacam que o projeto não teria como garantir a chegada de recursos em seus redutos eleitorais, porque ainda precisariam apreciar um texto que determinasse as destinações.

O ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) classificou a PEC como “fura teto”. “Acabei de receber a minuta da PEC fura teto do governo. É um erro. Na minha opinião, deveríamos criar a comissão da PEC do deputado Pedro Paulo, que trata de redução de despesas do governo federal. Este seria o caminho correto pra organizar o orçamento federal. Se há espaço pra discutir uma PEC, esta emenda vai no caminho correto”, escreveu Maia, em seu perfil no Twitter.

Com informações da Revista Valor Econômico