Casos do Andirá e do Gauchão se conectam

As notícias dos últimos dias dão conta de que o futebol brasileiro continua cheio de problemas de Norte a Sul. 

O Andirá precisou na hora do jogo grampear seu escudo no uniforme para poder atuar porque estava mal costurado. Em outro extremo, nada justifica um técnico de um clube do porte do Internacional simular que levou uma cotovelada no olho de um jogador adversário na semifinal do Campeonato Gaúcho.

Para a equipe do Acre faltou talvez recursos para fazer um serviço bem feito nas novas camisas dos atletas. No Sul, sobrou desorganização e má fé. E não foi só a simulação do comandante colorado Zago que marcou a partida. 

Houve expulsão de médico adversário que queria briga – não há situação pior no mundo do que quem deve zelar pelo jogo limpo sugerir outra coisa – e invasão de campo por torcedores. O técnico do Inter já havia protagonizado na primeira partida da semifinal do Gauchão contra o Caxias confusão com a comissão técnica. 

Ainda no rol de temas pitorescos, a imprensa noticiou que o União Barbarense, que já disputou a Série A do Paulista, em uma viagem longa no Estado para uma partida, jogadores dormiram no chão do ônibus. É que eles viajaram no mesmo dia do jogo para o clube evitar despesas de hospedagem – e para os atletas descasarem, eles se espalharam pelo piso do bólido para tentar relaxar o mínimo antes do confronto na cidade onde se dirigiam.

O fato é que esses problemas, desde o ocorrido no Acre, passando pelo “rico” Estado de São Paulo, até o Rio Grande do Sul, são corriqueiros. Notícias desse tipo podem ser produzidas quase que todo final de semana, se assim desejar as editorias de esporte da imprensa. 

Em quase nada difere o que aconteceu com o Andirá e no Campeonato Gaúcho se analisarmos o quanto o futebol brasileiro carece de estrutura e organização. O acontecimento acreano chama mais a atenção pelo inusitado, mas a persistência do caso ocorrido com o Internacional também é perturbador – não precisa se aprofundar na pesquisa para apontar a quantidade de partidas já realizadas somente esse ano onde a desorganização imperou (estamos falando aqui somente dos principais estaduais do País; faça uma busca na internet sobre o Campeonato Carioca 2017…).

No fundo, está tudo dentro do mesmo saco. Onde se deveria ter exemplo não existe. Então, o que pode se esperar mais adiante?