CASO JOHNLIANE: Promotor e delegado rebatem acusações dos advogados de defesa

Os advogados de Alan Araújo de Lima, Helane Christina da Rocha Silva e Carlos Venícius Ferreira RIbeiro,  afirmaram, na quarta-feira, 11, que o trabalho de investigação feito pela polícia não foi realizado de maneira correta, e que o processo foi realizado de maneira seletiva e tendenciosa.

Alan, juntamente com Ícaro, foram apontados como os responsáveis pelo falecimento de  Johnliane Paiva de Souza , que foi atropelada em  6 de agosto de 2020, na avenida Antônio da Rocha Viana.

A advogada Helena afirmou que poucas câmeras foram usadas pela polícia, sendo apenas três das 36 disponíveis, segundo ela. “Ele (o delegado) pegou as câmeras do Posto Village até o momento que o beneficiava, até o momento em que o Alan passava. Mas quando o Alan voltava, ele não juntou no processo e nem mostrou na mídia.”, afirmou

Já Ribeiro, disse que o procedimento realizado pelo então delegado da 1ª Regional da Polícia Civil, Alex Danny, era vergonhoso e que havia parcialidade nas investigações. Além disso, afirmou que houve a tentativa de se criar uma narrativa em volta da disputa de uma corrida de rua ilegal, como maneira de justificar a acusação de homicidio com dolo eventual.

“A polícia investigou muito esse caso, é muito mal. É preciso que se diga isso. Uma investigação seletiva, vergonhosa e que hoje, certamente, obsta aquilo que é o direito mais importante do ser humano, que é o direito de defesa. Em meio a isso tudo, há um ‘racha imaginário’, que foi criado para transformar um homicídio de trânsito em um homicídio com dolo eventual.”, falou o advogado.

Ribeiro também destaca que existe apenas um culpado pela morte de Johnliane, e que existem diferenças nos processos de ambos os acusados. De acordo com ele, não é isso que vem acontecendo na investigação e denúncia realizada pelo Ministério Público.

“Há nesse processo um responsável pela morte de Jhonliane, que é o Ícaro. Nós temos um culpado, que é confesso. (…) E se até hoje as defesas de Ícaro e Alan não tiveram coragem de falar dessa diferença abissal de condutas , isso agora está sendo admitido.”, complementou Ribeiro.

Outro ponto importante relatado pela dupla de defensores é a desproporcionalidade da mídia na repercussão do caso. De acordo com Helane, outros dois episódios parecidos ocorreram, mas não receberam tantos holofotes por parte da imprensa.

Os casos referenciados são o de Lucas Oliveira, que jogou a ex-namorada Emely Juliana de um carro em movimento, durante uma briga do então casal, no ano de 2021. O caso de Gabrielly Lima Mourão é outro  lembrado pela dupla, que atropelou e matou Maria Josilayne Ferreira Duarte, após perder a direção do veículo na Estrada da Floresta, também em 2021.

Promotor e Delegado Respondem

O promotor de justiça da 6ª Promotoria Criminal, Efrain Enrique Mendoza, que acompanha o caso, rebateu as afirmaçõ

es feitas pelos advogados de Alan. Efrain tem posicionamento firme ao dizer que as ações da polícia foram realizadas de maneira imparcial e sem a suposta seletividade apontada pelos advogados. 

De acordo com Efrain, o embasamento da denúncia realizada pelo Ministério Público é feito a partir do laudo pericial, e não dos depoimentos dados por testemunhas. 

Ainda de acordo com ele, este trabalho foi um dos mais bem realizados que já pode observar é que as declarações dadas apenas ilustram o que pode ser constatado durante as investigações.

“Principalmente, tendo em vista que o trabalho foi realizado pelo Instituto de Criminalistica, órgão independente, que não sobre nenhuma influência de qualquer autoridade, o qual elaborou laudo de local do crime, no qual se demonstra claramente que os acusados estavam disputando uma corrida ilegal de carros potentes.”, disse Efrain.

O promotor também pontuou as comparações feitas pela advogada, Helane Christina, e disse que os casos não são compatíveis, devido às circunstâncias em que ocorreram.

“No que a outros casos que tratam sobre vitimas de transito, infelizmente muito frequentes em nosso estado, é importante esclarecer se suas circunstâncias apontam para a presença do dolo eventual, como ocorre em crimes envolvendo manobras arriscadas, dentre elas o emprego excessivo de velocidade em vias movimentadas e as disputas ilegais, crime de racha, já estando sedimentado nos tribunais superiores que se trata de crime de homicídio doloso”, explicou ele.

Já o delegado que está a frente do caso, Alex Danny, afirmou que o advogado deve proceder de maneira respeitosa, visando manter o prestígio de sua classe e não com a postura que vem sendo tomada.

Além disso, falou sobre as acusações feitas sobre o seu trabalho à frente do caso. “Em um Estado Democrático de Direito, cada entidade deve procurar o bem cumprir no exercício da sua função e se preocupar apenas em ver a Justiça ser materializada”.

O delegado também defendeu sua instituição, que foi descredibilizada pelos advogados ao dizerem que a investigação estava sendo tendenciosa. “(A Polícia Civil) é uma polícia de Estado e garantidora de direitos que não está vinculada a qualquer pessoa, mas sim a fatos, portanto merecedora de respeito (…) Se tudo que a defesa tem neste caso é meramente atacar a credibilidade de um trabalho feito ao custo do suor de tantos servidores públicos, pessoalmente eu só tenho a desejar muito sucesso e paz aos nobres causídicos.”, finalizou Alex.

O julgamento de Ícaro José da Silva Pinto e Alan Araújo de Lima acontecerá na próxima terça-feira, 17, e será finalizado apenas na quarta-feira, 18, em virtude do grande número de testemunhas.