O preço da carne bovina voltou a subir em Boca do Acre e acendeu um alerta entre comerciantes e consumidores. Entre outubro e novembro, o produto registrou dois reajustes consecutivos. No último aumento aplicado pelo frigorífico Frizam, o quilo do boi bruto passou de R$ 22 para R$ 26, uma alta de 18,18%.
O impacto chega diretamente aos consumidores. Dependendo do corte, o quilo da carne já é comercializado nos açougues da cidade por valores entre R$ 40 e R$ 60, dificultando ainda mais o acesso das famílias ao produto.
Açougues relatam falta de carne e preocupação com abastecimento
Um açougueiro ouvido pela reportagem, que preferiu não ser identificado, afirmou que os aumentos já começam a comprometer o abastecimento do mercado local. Segundo ele, alguns estabelecimentos estão sem carne para comercialização.
O comerciante também relatou que o empresário José Lopes teria reassumido a gestão do Frizam. Além disso, afirmou que circula na cidade a informação de que o frigorífico poderia encerrar as atividades em dezembro.
A possibilidade preocupa comerciantes e consumidores, já que o estabelecimento tem participação importante no fornecimento de carne ao mercado de Boca do Acre.
A reportagem também ouviu uma pessoa que já teve ligação com o frigorífico. Ela afirmou não acreditar em um possível fechamento, considerando o porte da empresa, mas ressaltou que não possui informações suficientes para confirmar ou descartar o relato.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre um possível encerramento das atividades do Frizam em dezembro.
FrigoNosso não abastece o mercado local
Outro ponto que aumenta a preocupação é a atuação do FrigoNosso, o outro frigorífico em funcionamento no município. Conforme as informações levantadas pela reportagem, o estabelecimento trabalha exclusivamente com exportação e não fornece carne aos açougues locais.
Com isso, os comerciantes têm alternativas limitadas para manter os estoques, especialmente diante dos reajustes registrados no Frizam e dos relatos de dificuldades no abastecimento.
A combinação de preços elevados, falta de produtos em alguns estabelecimentos e incertezas sobre o futuro do frigorífico coloca em discussão a capacidade de atendimento do mercado consumidor de Boca do Acre.
Vângelo Araújo cobra providências da prefeitura e da Câmara
O ex-vereador e ex-secretário municipal Vângelo Araújo criticou os aumentos sucessivos e classificou a situação como um abuso que precisa ser discutido pelas autoridades municipais.
Ele defende que a prefeitura e a Câmara Municipal promovam uma reunião com pecuaristas e representantes do frigorífico para compreender os motivos dos reajustes e buscar alternativas diante da alta dos preços.
Na avaliação de Vângelo, o problema não se limita às relações comerciais entre frigoríficos e açougues, pois afeta diretamente a alimentação das famílias. “Quem está sofrendo na pele é a população”, afirmou.
Crise do FrigoRaça volta à memória dos moradores
A situação também traz à lembrança a controvérsia envolvendo o FrigoRaça, que provocou preocupação entre fornecedores e funcionários diante de relatos de possíveis prejuízos e riscos de inadimplência.
O episódio gerou insegurança entre pessoas que dependiam financeiramente das atividades da empresa. Nesse contexto, a retomada da gestão do Frizam por José Lopes, conforme relatado à reportagem, passou a integrar as discussões sobre o cenário atual do setor.
A experiência anterior reforça a preocupação de comerciantes, trabalhadores e consumidores com os efeitos que eventuais dificuldades de um frigorífico podem provocar na economia local e no abastecimento de um produto presente na alimentação de muitas famílias.


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