Boca do Acre comemora 129 anos

Nascida na confluência dos rios Acre e Purus e confundida como parte do estado do Acre, Boca do Acre é o último município amazonense da calha do Purus, que faz divisa com terras acreanas. A grande várzea encontrada por João Gabriel de Carvalho e Melo, sertanejo de Uruburetama-CE, é também morada de etnias como os Apurinãs (maioria), Jamamadi e Jaminawa, que aqui já viviam antes dos 129 anos comemorados pelo lugar, neste dia dia 22 de outubro.

Peculiaridades


Boca do Acre também é o lugar das terras caídas, o fenômeno amazonense que afeta a grande maioria dos municípios, majoritariamente aqueles que estão situados em rios em formação, como é o caso do Purus. A cidade que hoje conta, em alguns trechos, com uma única via de acesso de um bairro para o outro, já teve quatro importantes avenidas, como conta o professor Carlos Alberto dos Anjos, historiador e morador de Boca do Acre.

“A força implacável das águas do caudaloso Purus já levou ruas, escolas importantes, hotéis famosos e, sem cessar, as barrancas continuam desmoronando, ameaçando inclusive isolar um dos bairros mais importes: Praia do Gado”, relatou.

De Antimary à Boca do Acre


A paragem mais ao sudoeste amazonense nem sempre se chamou assim. A história conta que no princípio, assim que chegou o cearense anteriormente citado, acompanhado de cearenses e um português, o lugar passou a se chamar Vila Antimary, anos mais tarde, a sede do município mudou de local e nome, subindo o rio Acre, quase na divisa, e passou a ser conhecida por Vila Floriano Peixoto.

Conforme o historiador entrevistado por nossa reportagem, batalhas travadas entre brancos e etnias indígenas fizeram mais uma mudança. Novamente de local e nome, retornando para o encontro dos rios Acre e Purus, agora com o nome de Santa Maria de Boca do Acre. Por último, a terra de mais de 34 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – atualmente, passou a se chamar simplesmente Boca do Acre.

Atualmente


Com mais de 200 mil cabeças de gado, Boca do Acre possui o segundo maior rebanho bovino do Amazonas, perdendo apenas para Lábrea, por uma questão territorial, de acordo com a explicação do pecuarista Ildo Gardingo.

“Na prática, o maior rebanho bovino é de Boca do Acre, pois a maioria das fazendas que estão dentro da estrada do Projeto de Assentamento do Monte, que tem acesso por Boca do Acre, está dentro de terras labrenses. Mas o comércio desse gado, a retirada, compra de mantimentos e demais produtos de primeira necessidade de uma fazenda, são adquiridos em Boca do Acre e todos os trabalhadores das propriedades são de Boca do Acre, inclusive a maioria dos proprietários. A ligação com Lábrea é muito pouca”, pontuou Ildo.

Em suma, a pecuária movimenta de forma exponencial a economia de Boca do Acre. O setor é tão pujante que uma festa especial foi inaugurada em 2012 e até já entrou na sua 7ª edição: a Expoboca. O evento já chegou a movimentar mais de 7 milhões de reais em quatro dias de festa, conforme informou o Sindicato Rural de Boca do Acre.

Indústria da carne bovina


O Frizam, a maior indústria de beneficiamento de carne e outras partes do boi, abastece os mercados do Acre e especialmente da capital do Amazonas. Segundo informações do instituto Idesam, o frigorífico de Boca do Acre abate anualmente mais de 50 mil animais.

O que faz a carne de Boca do Acre ganhar espaço na mesa do amazonense, acreano, rondoniense e de outros estados, é a qualidade de produção, que trabalha com genética de qualidade, com gado Puro de Origem (PO) e Puro de Origem Importado (POI).

A explicação foi dada pelo veterinário Wagner Campagnaro Wernec, na ocasião de um dos leilões da Fazenda Simonik. Wanger elogiou também a geografia do solo e o clima amazônico, que favorece que o capim não se deteriore por meses de seca intensa.

Turismo


Boca do Acre também se torna um famoso atrativo turístico entre os meses de agosto e setembro, quando é realizado o Festival de Praia, que ocorre há 25 anos trazendo por três fins de semanas consecutivos uma grande festa que atrai visitantes principalmente do Acre e de Rondônia.

Modais de transporte


Como chegar ou sair de Boca do Acre? A principal via de acesso é a BR-317, que liga ao estado do Acre, Brasil e ao mundo, uma vez que a rodovia é chamada de “Transpacífico”, pois tem conexão com o Peru, consequentemente com o oceano pacífico.

Entre os anos de 2010 e 2012, o governo do Amazonas iniciou um projeto para tornar Boca do Acre um entreposto entre o polo industrial de Manaus e a China. O projeto ainda não saiu do papel.

Terra do peixe


Boca do Acre também é a terra da piracema do mandim. Entre os meses de junho e setembro, um evento que atrai a atenção de bocacrenses, visitantes ou turistas que apreciam o encontro dos rios Acre e Purus, onde centenas de pescadores se encontram em um só lugar para fisgar o famoso mandim.

Personalidade


Mario Diogo de Melo, falecido aos 104 anos de idade, é o nome que melhor representa o município. Foi escritor, vereador, prefeito, deputado estadual e representante do Ministério Público. Mário Diogo recebeu uma comenda na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, pelo importante papel que representou no município e no estado. Além disso, Mário Diogo é da linhagem de João Gabriel, o desbravador das terras bocacrenses.