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sexta-feira, 23 de outubro de 2026
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Apoiador de Flávio Bolsonaro, policial civil é filmado agredindo adolescentes em parque infantil no Pará

Um policial civil foi filmado agredindo adolescentes na noite de quinta-feira (22), em um parque de diversões instalado na praça matriz de Moju, no nordeste do Pará. O homem estava armado e aparece com uma pistola presa à cintura durante a confusão, que ocorreu em um espaço frequentado por crianças e famílias.

O caso ganhou repercussão após a circulação de vídeos nas redes sociais. O policial declarou que pretende votar no senador Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições deste ano. Ele, no entanto, negou que a agressão tenha relação com seu posicionamento político.

Em um vídeo divulgado após a repercussão, o suspeito afirmou que foi ao parque acompanhado da filha, de 8 anos, e da neta, de 1 ano e meio. Ele reconheceu que errou ao não acionar a Polícia Militar, mas apresentou uma versão diferente sobre o início do conflito.

Segundo o policial, os adolescentes também o teriam agredido e tentado atacá-lo por causa da camisa de Flávio Bolsonaro que vestia. Ele ainda alegou que os jovens estavam utilizando um brinquedo que, na avaliação dele, seria destinado a crianças menores.

Advogado relata ferimentos nos adolescentes

O advogado Alan Reis, que representa os adolescentes, acompanhou os familiares até a delegacia de Moju. Segundo ele, os pais dos jovens foram ouvidos, e os adolescentes passaram por uma avaliação preliminar das lesões para o registro da ocorrência e a realização dos procedimentos periciais.

De acordo com o advogado, um dos adolescentes apresentava uma lesão cortante na cabeça, além de outras escoriações. A extensão e a gravidade dos ferimentos ainda dependiam de avaliação pericial pelo Instituto Médico Legal (IML).

Durante o atendimento na delegacia, uma das mães manifestou temor pela segurança do filho e pediu proteção. Conforme o advogado, até a noite de quinta-feira o procedimento policial ainda não havia sido concluído, e os adolescentes deveriam ser chamados para prestar depoimento na manhã desta sexta-feira (23).

Investigação pode apurar responsabilidades criminais e administrativas

O advogado afirmou que o caso pode resultar em investigação por lesão corporal e também levantar questões administrativas relacionadas à conduta do policial e ao porte de arma funcional durante o episódio. A definição de eventuais responsabilidades depende da apuração dos fatos pelas autoridades competentes.

“Eu acho que é uma circunstância complexa e que não me cabe fazer juízo de valor, mas que deve ser apurado com todo o rigor que a lei ordena”, declarou Alan Reis.

A Polícia Civil do Pará foi procurada para esclarecer a situação funcional do agente e informar se alguma medida administrativa havia sido adotada. Até a publicação das informações originais, não havia resposta da instituição.

O caso reúne questionamentos sobre a violência contra adolescentes, a conduta de um agente público armado e a necessidade de esclarecer as circunstâncias da confusão. As versões apresentadas pelos envolvidos deverão ser confrontadas durante a investigação.