Acre tem a 4ª maior rede de proteção à mulher mas violência segue crescendo

O Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), ligado ao Instituto de Pesquisa Data Senado, mostra em seus últimos levantamentos que o Acre é um dos poucos Estados brasileiros a contar com mais de três unidades especializadas de atendimento à mulher vítima da violência em funcionamento para cada grupo de 100 mil mulheres, mais do que o triplo da média nacional, os outros estados apresentam um número relativamente reduzido de UEAs em funcionamento. Nesse quesito, o Acre está junto apenas de Amapá, Distrito Federal e Tocantins –mas é o Estado que mais recebeu recursos per capita (R$30,21 por mulher) para implementar as ações definidas pela então Secretaria de Políticas para Mulheres no ano de 2016. “Contudo, não foi encontrada correlação significativa entre o número de unidades especializadas por 100 mil mulheres e as variações dos índices de violência contra as mulheres observadas nos estados entre os anos de 2006 e 2014. Também não foi encontrada correlação significativa entre essa variação nos índices de violência letal contra mulheres e o montante de recursos recebidos mediante convênios assinados com a SPM”, diz o estudo Panorama da Violência Contra a Mulher no Brasil –Indicadores Nacionais e Estaduais proporcionado pelo OMV.

Apesar dessa ampla rede de proteção, levantamento do jornal OPINIÃO mostra que das cerca de 70 mortes violentas registras este ano no Acre, 7 eram mulheres. Elas foram assassinadas brutalmente – algumas com vários disparos de arma de fogo, outras com 15 ou mais facadas – em grande parte muito jovens ainda, como R.C, de apenas quinze anos de idade, cujo corpo foi encontrado na Cidade do Povo dias depois de ela supostamente ter desaparecido no bairro em janeiro deste ano. O que chama a atenção é que o número de mulheres mortas de modo violento aparenta crescer com a guerra de facções criminosas.

No dia 1 de fevereiro, Débora Maciel tombou com um tiro de escopeta em Manuel Urbano, uma execução que a polícia ainda investiga. Lucilene da Silva Matos, de 18 anos, morreu durante tiroteio no dia 18 de janeiro, na Rua Humberto Oliveira, no residencial Jacarandá, em Rio Branco. Segundo testemunhas, um carro passou em frente da casa onde estavam as vítimas. Homens que estavam dentro do carro fizeram vários disparos de arma de fogo, acertando não apenas Lucilene como outras pessoas que estavam no local.