Acidente que vitimou a acadêmica Marina Oliveira completa um ano nesta terça

O trágico acidente que tirou a vida da acadêmica de jornalismo, Marina de Oliveira Lima, completa um ano hoje. No dia 4 de abril de 2016, por volta das 6 horas da manhã, a jovem seguia para o estágio quando foi atingida por um veículo que vinha em alta velocidade.

O condutor teria feito uma ultrapassagem de forma errada, perdeu o controle e colidiu em cheio o carro de Marina, que morreu na hora.

Hoje, completa um ano e família ainda luta por justiça. O causador do acidente nunca foi preso nem sentenciado. Recentemente, a família procurou o Ministério Público do Estado do Acre e soube que o pedido de condenação pelas práticas dos crimes de homicídio culposo na direção de veículo automotor (Artigo 302 da Lei nº 9.503) e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor (Art. 303 do Código de Trânsito Brasileiro – Lei 9503/97) contra ele já foi feito.

A equipe Opinião entrou em contato com o advogado de defesa do acusado, Armyson Lee, que informou que está entrando com o pedido de anulação do laudo pericial.

Segundo Lee, três veículos estavam envolvidos no acidente e apenas dois foram periciados. Ele disse ainda que o ônibus estava acima do limite e o motorista seguia de forma irregular na pista fazendo com que seu cliente colidisse no veículo antes de perder o controle e invadir a pista onde trafegava o carro de Marina.

Familiares e amigos se reuniram na manhã desta terça-feira, 4, para realizar um manifesto, próximo ao Horto Florestal, local onde aconteceu a tragédia, para pedir por justiça e mais prudência, respeito e amor no trânsito. À noite, será celebrada a missa de um ano, na Catedral Nossa Senhora de Nazaré, às 19 horas.

O ato faz parte do Movimento SOMAR (Sonhos de Marina), criado após o acidente, que visa conscientizar motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestre sobre os cuidados no trânsito e em fazer memória a todas as vítimas de trânsito.

De acordo com a assessoria do Departamento Estadual de Trânsito do Acre (Detran/Ac), em 2016, foram 62 acidentes com 66 vítimas fatais, nos dados não estão às vítimas de acidentes em rodovias federais.

Quem era Marina

A mãe de Marina, Izaura Oliveira, a descreve como uma menina meiga, batalhadora e sonhadora, que não media esforços pra alcançar seus objetivos.

“Ela sonhava em ser famosa desde pequena, adorava cantar e sempre dizia que eu iria vê-la na televisão fazendo muito sucesso”, relembra a mãe.

Dona Izaura relembra que a filha viveu intensamente os últimos anos de vida. “Ela entrou na faculdade, casou, foi mãe de coração e tinha uma vida agitada conforme queria. Uma vez ela estava reclamando que não tinha tempo e quando a questionei que podia ficar só estudando que nós a ajudaríamos ela respondeu que mesmo cansada gostava do que estava vivendo”, disse.

Para a mãe, é difícil esquecer aquele dia em que foi arrancado um pedaço seu. Ao ser avisada do acidente sentiu que havia algo errado, pois a ligação não foi feita por Marina. No dia anterior, estavam juntas e a filha falava do sonho de concluir a faculdade que estava próximo.

“Fico pensando se eu tivesse ligado ela teria se atrasado um pouco e nada disso tinha acontecido. Tem dias que acordo bem cedo e penso em me arrumar e sair por aí em busca dela. Nessas horas, a gente se apega a Deus que é quem nos conforta. Sei que agora ela está descansando e que um dia eu irei vê-la novamente”, finaliza Izaura.

Brasil é o quinto paísno ranking em mortes por acidentes no trânsito

Por ano, cerca de 50 mil pessoas morrem em acidentes de trânsito no Brasil. Segundo dados preliminares do Ministério da Saúde, em 2013, os acidentes com motos resultaram em 12.040 mortes, o que corresponde a 28% dos mortos no transporte terrestre. Nos últimos seis anos, as internações hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS) envolvendo motociclistas tiveram um crescimento de 115% e o custo com o atendimento a esses pacientes de 170,8%.

O Ministério da Saúde aponta ainda 37.306 óbitos e 204.000 feridos hospitalizados em 2015 e 42.500 indenizações por morte e 515.750 por invalidez no seguro DPVAT.
No Acre, houve uma redução de 27% do número de mortos entre 2002 e 2006 e aumentos contínuos entre 2007 e 2011, totalizando 105%.

Abaixo, o quadro com os números de mortes em acidente de trânsito de 2002 a 2014, no Estado:

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