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A epopeia do desenvolvimento na Amazônia acreana

Na última semana de março, o governo do Acre iniciou mais uma epopeia para assegurar direitos básicos nos municípios de difícil acesso. A ação é parte do Programa de Saneamento Ambiental e Inclusão Socioeconômica do Acre (Proser) que beneficia as cidades de Jordão, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo.

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Na última semana de março, o governo do Acre iniciou mais uma epopeia para assegurar direitos básicos nos municípios de difícil acesso. A ação é parte do Programa de Saneamento Ambiental e Inclusão Socioeconômica do Acre (Proser) que beneficia as cidades de Jordão, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo.

Desta vez, mais de 850 toneladas de insumos, transportados de balsa, tinham como destino Marechal Thaumaturgo, município no ocidente do Acre, próximo à fronteira com o Peru, localizado às margens dos rios Juruá e Amônia.

A cidade não tem interligação com a capital ou qualquer outro município por via terrestre. Em linha reta, está há cerca de 560 quilômetros de Rio Branco. Para realizar qualquer obra na região, o planejamento de ações é fundamental, já que o acesso só é possível via aérea e fluvial.

Ato de coragem

No Norte do país, sol e chuva são mais que aliados, são parte do cronograma de qualquer execução de obra e nas comunidades “isoladas” da Amazônia, os rios são vias para o desenvolvimento.

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A cheia dos rios chega a ser contraditória no cenário amazônico. O mesmo manancial que transborda, invade moradias, desabriga famílias e torna-se via para transporte de insumos que melhoram a qualidade de vida de milhares de pessoas.

Contudo, as dificuldades impostas pelas limitações de acesso não impedem que o governo do Acre invista aproximadamente R$ 5,3 milhões e se faça presente levando políticas públicas que visam o desenvolvimento social e econômico.

Com esse propósito, o Departamento Estadual de Pavimentação e Saneamento (Depasa) enviou uma balsa, carregada com insumos, partindo de Cruzeiro do Sul para Marechal Thaumaturgo. A embarcação transportava mais de 850 toneladas de cimento, maquinário e ferros que serão utilizados na pavimentação de ruas do município.

Foram cinco dias de navegação cruzando o encontro de águas do Rio Juruá com o Rio Môa, sob sol intenso e chuva, passando pelas cidades de Rodrigues Alves, Porto Walter e diversas comunidades ribeirinhas.

“Decidir levar saneamento integrado às cabeceiras dos rios é ato de coragem. Não basta ter os recursos. É preciso conhecer cada curva de rio, seus humores. Conhecer os profissionais do transporte fluvial e suas embarcações”, pontua o diretor do Depasa, Edvaldo Magalhães.

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Magalhães completa: “Para cada insumo, uma decisão no tempo certo. E contar com a sorte e o bom humor da natureza em tempos de mudanças climáticas. Uma epopeia. Que bom estarmos vencendo esse desafio”.

O progresso trazido pelas águas

O período de chuvas é propício para a navegação de grandes embarcações. No porto de Cruzeiro do Sul, dezenas de balsas podem ser avistadas aportando para carregar e descarregar diversos produtos. Mas, sem dúvida, as embarcações que chamam mais atenção são as que transportam insumos e máquinas.

Ao se avistar uma dessas, sabe-se que em alguma margem daqueles rios o verão trará melhores condições de vida para a população.

Esta era a sensação que relatou o mototaxista Euclécio Castelo, 36 anos, ao ver aportar em sua cidade a embarcação que o governo do Acre enviara com itens que serão utilizados na pavimentação de ruas.

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Castelo nasceu na região do Alto Juruá, na comunidade de Redenção, há cerca de cinco horas de barco de Marechal Thaumaturgo. Conhece bem as dificuldades de navegar pelos rios da região e, principalmente, de trazer qualquer tipo de insumo para construções na sua cidade. “Tem época do ano que até um galho engancha um barco nesse rio. Ele vem estreitando de Porto Walter pra cá, e isso fica bem pior na época do verão”, explana.

Mesmo com o rio cheio, a embarcação segue um ritmo lento por conta do peso próprio associado ao peso que transporta e seu tamanho. Nesses cinco dias a navegação seguia num ritmo de aproximadamente cinco quilômetros por hora.

A balsa chegou ao seu destino na noite de sábado, 1, mas somente domingo começou a descarregar. No momento em que a balsa aportava, jovens, crianças, idosos e adultos iam se aglomerando nas margens do rio para ver o que transportava. Muitos afirmavam saber o conteúdo e confessavam estar lá para ter certeza de que o governo estava mesmo cumprindo o prometido.

Enquanto observava a operação para aportar a balsa, Castelo recebe uma ligação. “Era minha esposa me chamando para ir para casa. Bem capaz! Não vou agora. Não é todo dia que a gente vê uma coisa dessas”, disse ele entre risos, erguendo o olhar para embarcação.

Transportando o progresso

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É desafiador vencer as barreiras de isolamento na Amazônia, mas um governo precisa estar presente independentemente de onde está seu povo. Essa é uma das premissas da gestão de Tião Viana. Seja nas cidades, comunidades ribeirinhas ou aldeias mais longínquas, o governo é presente e parceiro, levando desenvolvimento, respeitando as tradições e elevando a qualidade de vida de quem faz do Acre um estado em plena ascensão.

Elissandro Gomes, comandante da balsa que transportava os insumos, conta que aprendeu a pilotar ainda jovem, com os familiares, e revela que, mesmo com o rio cheio, há dificuldades. “O rio para cá é muito difícil de navegar. A distância que a gente sempre faz é de quatro a cinco dias [de Cruzeiro do Sul a Marechal Thaumaturgo], dependendo das condições do rio.”

O comandante destaca ainda que é preciso manter a atenção redobrada durante todo o trajeto. Ele explica que a balsa não pode seguir muito para as margens porque pode bater nos barrancos e as árvores atingirem a embarcação. Seguir viagem à noite também não é seguro, especificamente no trajeto de Marechal Thaumaturgo, onde pedras submersas no rio são um risco iminente. “Tem muito toco e pedras e a gente tem uma responsabilidade muito grande quando transporta uma carga dessas”, relata Gomes.

Erisberto Freitas, gerente da Unidade do Depasa em Marechal Thaumaturgo, lembra que em 2015 um navio-hospital da Marinha do Brasil ficou por quase um ano preso nas pedras que formam uma cachoeira no Rio Juruá. “O rio foi secando, as pedras aparecendo e o barco não teve mais como sair de lá. Tiveram que esperar o rio encher de novo e só no outro ano conseguiram tirar”, relatou o gerente.

O tempo como aliado

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A embarcação deveria ter partido ainda na manhã da segunda-feira, 27, mas a chuva que caía em Cruzeiro do Sul impediu o transbordo da carga da balsa maior que veio de Manaus (AM) para o Acre trazendo as sacas de cimento. “A carga não pode ser molhada, senão perdemos tudo. Então, tínhamos que esperar o sol sair para fazer a transferência de uma balsa para outra”, esclarece José Maria Freitas, coordenador no Depasa em Cruzeiro do Sul.

O mesmo problema foi enfrentado para descarregar no destino final. A embarcação aportou no sábado à noite. A operação de descarga começou no domingo, foi retomada na segunda, mas sofreu interrupções por causa da chuva e seguiu na quarta-feira, 5.

Com os insumos em solo, o cronograma segue para o início das obras, que são programadas para o período do verão amazônico, que geralmente começa no segundo trimestre do ano.

“Falta pouco para garantir, no inverno, o necessário para produzir no verão. O governador Tião gosta de superar desafios. Por isso essa grande aposta”, conclui Edvaldo Magalhães. 

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