A desnecessária dicotomia entre vidas e emprego na pandemia

Desde o início da pandemia do novo coronavírus no Brasil e medidas adotadas pelos governos estaduais país afora, instaurou-se um debate ferrenho. De um lado, uns defendem o isolamento social para evitar mais contaminações e consequentes mortes, do outro, a ideia de que estas iniciativas prejudicam a economia, principalmente a local, e que isso trará prejuízos maiores do que os causados pela doença. Um tema espinhoso e centro de muitas discussões sobre o que fazer.

Essa dicotomia desnecessária entre vidas e empregos na pandemia é totalmente descabida. Está mais do que claro que saúde e segurança estão ligadas diretamente à economia, quanto mais empregos gerados menos violência e mais pessoas com condições de acessar serviços de saúde. Muitas empresas, independente do porte, pararam suas atividades ou reduziram a capacidade operacional devido à pandemia. Mas como proteger vidas e postos de trabalho nesta situação?

O primeiro passo tem que ser dado por nós, empresários, que devemos manter os nossos funcionários nos postos e evitar ao máximo as demissões. E sim, eu sei que não é fácil. Sinto isso na pele todos os dias, mas precisamos insistir, acreditar nas pessoas e em nosso potencial empreendedor. Durante a pandemia foi criado o movimento “Não Demita!” que está oportunizando a garantia de renda para milhares de vidas. Para isso, é necessário que haja uma política concreta e urgente que socorra esses empreendimentos tão importantes para a economia. Se eles quebrarem haverá mais demissões e cortes salariais, o que agravará a crise que assola nossa economia desde 2015.

Nunca se fez tão necessária a aplicação de parceria público-privada (PPP) em nível nacional, para manter a estabilidade econômica de famílias que dependem dos seus empregos para levar alimento para a mesa. Para garantir transparência no aporte financeiro aos grandes e, principalmente, pequenos empreendimentos, o governo federal em parceria com os estaduais precisa fazer um cadastro massivo para conhecer a realidade dessas pessoas e elaborar um auxílio complementar eficaz.

Também se faz necessário a reinvenção dos modelos de negócio, principalmente no comércio, a partir do uso das tecnologias disponíveis. Manter o trabalhador em casa cumprindo suas funções e atender a demanda por via remota é o início desse novo caminho. A sociedade civil organizada precisa se envolver em uma grande mobilização social a favor das pessoas mais carentes e empreendimentos de pequeno porte, eles são extremamente importantes para a economia local.

O problema mais contundente é o descumprimento do isolamento social por pessoas que não têm a necessidade de estar fora de casa. Quanto mais pessoas nas ruas e em aglomerações desnecessárias, mais tempo essas medidas durarão.

Quanto aos trabalhadores dos serviços essenciais e possível reabertura gradual do que está fechado, o funcionamento desses locais precisa ser rigorosamente fiscalizado para garantir as recomendações das autoridades de saúde.
A demagogia vinda por meio de discursos políticos sobre esse tema e o cabo de guerra que não leva a nada precisam ser encerrados.

Precisamos focar nas pessoas mais vulneráveis e nas economias frágeis como a do Acre. Com união dos entes públicos e privados, inovação nos mais diferentes setores econômicos e sensatez dos nossos governantes, acredite, é possível salvar vidas e estabilizar a economia.