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Seguidores ruins de líderes malucos

Seguidores ruins de líderes malucos

Em artigo publicado no jornal Estadão de hoje (ontem – 23.10.17), o escritor e membro do Carnegie Endowment em Washington, Moisés Naím, aborda o tema dos seguidores ruins de líderes malucos que buscam destruir tratados, impor o individualismo nacionalista, a separação dos povos e a guerra, ou seja, a aplicação de políticas públicas contra o bem-estar social. Abaixo alguns trechos do artigo para reflexão dos leitores a fim de contribuir com a escolha que faremos em 2018.

“O mundo passa por um problema de líderes. Há muitos ladrões, incompetentes ou irresponsáveis. Alguns malucos. Muitos combinam todas essas falhas. No entanto, também temos um problema de seguidores. Em todo lugar, as democracias se veem abaladas por votos de cidadãos indolentes, desinformados ou de ingenuidade superada apenas por sua irresponsabilidade.

São os britânicos que, depois de terem votado a favor do rompimento com a Europa, foram aos milhares pesquisar no Google o que significava aquele negócio de Brexit. Ou os americanos que votaram em Donald Trump e agora estão descobrindo que ele os fará perder a assistência médica. Ou aqueles que acreditaram quando ele prometeu que não iria governar com as elites corruptas de sempre e agora veem lobistas que representam vorazes interesses privados ocupando cargos importantes na Casa Branca. São cidadãos que não perdem tempo votando porque “todos os políticos são iguais” ou porque acham que seu voto não vai mudar nada. Com certeza você conhece alguém assim.

Claro que devemos nos esforçar para procurar líderes melhores. Mas também é preciso melhorar a qualidade dos seguidores. Sempre existiram cidadãos mal informados ou politicamente apáticos – além daqueles que não sabem em quem (ou contra quem) estão votando. Mas agora as coisas mudaram e os votos dos indolentes, desinformados e confusos ameaçam a todos nós. 

A internet deixa mais fácil o trabalho de demagogos, representantes de interesses obscuros e ditadores que querem manipular eleitores desinteressados ou distraídos. A rede não é só uma fonte de informação: também se transformou em um tóxico canal de distribuição de mentiras. 

Na internet, somos todos vulneráveis, principalmente aqueles que, por estarem sempre ocupados ou por apatia, não fazem maiores esforços para verificar se é verdade o que dizem as sedutoras mensagens políticas que chegam pelas redes. 

Mas não são apenas os apáticos. No polo oposto estão os ativistas, cujas posições intransigentes deixam a política mais rígida. Quem tem muita certeza nas próprias ideias encontra na rede abrigos digitais onde pode interagir somente com pessoas que compartilham de seus preconceitos e onde circulam apenas as informações que reforçam suas crenças.

Além disso, redes sociais como Twitter e Instagram obrigam a usar mensagens breves. A brevidade propicia o extremismo, uma vez que, quanto mais curta a mensagem, mais radical deve ser para circular. Nas redes sociais não há espaço ou paciência para ambivalências ou nuances entre visões divergentes. Tudo é muito branco ou muito preto. Naturalmente, isso favorece os sectários e dificulta os acordos.” O texto ainda continua com as quatro propostas para neutralizar os males, mas para 2018, o acima já é suficiente para nossa decisão.

Marco Antonio Mourão de Oliveira, 41, é advogado, especialista em Direito Tributário pela Universidade de Uberaba-MG e Finanças pela Fundação Dom Cabral-MG.