MARCELA JANSEN
O Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, chegou a marca de 14,32 metros na última sexta-feira, 19, ultrapassando a marca histórica de 14,24 metros registrada na alagação de 2017. A cota de alerta, que é de 11,80 metros.
Dentre os bairros atingidos com o transbordamento do manancial estão Varzea, Miritizal, Lagoa, Cruzeirinho, Ramal da Boca do Moa, Olivença, Comunidade Florianópolis, Estirão do Remanso e Comunidade Praia Grande. De acordo com informações da Defesa Civil do município, mais de 30 mil pessoas já foram atingidas com a cheia, sendo que cerca de 800 famílias estão em casa de parentes e outras 142 estão abrigadas em 17 escolas públicas. Outras 25 famílias, com idosos e pessoas com deficiência, estão em aluguel social.
Nas escolas que servem de abrigo, cada família fica em uma sala de aula. Segundo a secretaria de Assistência Social, além de alimentação, os abrigos oferecem atendimento de médico, psicólogos e assistentes sociais.
A situação na região preocupa porque além do Juruá, outros rios também transbordaram e deixaram famílias desalojadas. O Rio Liberdade onde tem comunidade de mesmo nome, fica a cerca de 100 quilômetros da cidade de Cruzeiro do Sul e além dele, Rio Lagoinha que fica a 20 quilômetros da cidade também transbordou. A Defesa Civil informou que ainda faz levantamento da situação.
O Rio Môa transbordou e invadiu cerca de 300 metros da pista da Rodovia AC-405, que liga Mâncio Lima a Cruzeiro do Sul. Por enquanto, o tráfego de veículos segue normal, mas poderá ser interrompido caso o nível das águas continue subindo.
Covid-19 X Enchente
Um dos desafios da Prefeitura de Cruzeiro do Sul durante a enchente deste ano é assegurar o cumprimento do protocolo de controle a pandemia do novo coronavírus. Antes de acomodar as famílias desabrigadas é realizada uma triagem. Acusando positivo, a pessoa é alojada separadamente dos demais, sendo acompanhada com equipe médica e recebendo toda medicação necessária.
Municípios vizinhos
Nos municípios de Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves, Santa Rosa do Purus e Jordão a situação também é delicada. Diversas famílias já foram retiradas de seus lares devido ao transbordamento do rio. Todas devidamente assistidas pelas prefeituras com alojamento e alimentação.

Tarauacá também sofre com a cheia do rio
As ruas do município de Tarauacá já estão 80% alagadas. A medição de sexta-feira, 19, apontou que o manancial já está com onze metros, o que tem ocasionado o abandono de diversas famílias de seus lares.
A estimativa é que mais de 28 mil pessoas já tenham sido atingidas com a subida das águas, o que corresponde a sete mil famílias nos bairros da cidade e parte da zona rural.
A Prefeitura solicitou na última quinta-feira, 19, ajuda do Exército Brasileiro (EB) para a retirada das pessoas das casas alagadas. Além disso, a prefeita Maria Lucinéia decretou estado de calamidade pública.
Na quarta-feira, 17, o município de Tarauacá teve o decreto de emergência reconhecido pelo governo federal através da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.
A Energisa segue fazendo o desligamento graduação da energia elétrica nas áreas que estão em situação de alagamento.

Rio Iaco continua subindo é população
A situação no município de Sena Madureira também é delicada. O transbordamento do Rio Iaco, – que alcançou 17,69 metros na sexta-feira, 19 -, já atingiu diversos bairros da cidade, entre eles: Centro, Vitória, Segundo Distrito, Cafezal, Cidade Nova, Bom Sucesso, Vila Militar, Praia do Amarilho, São Felipe e Pista.
Segundo a Defesa Civil Municipal, mais de 700 famílias já foram retiradas de suas casas. Os desabrigados estão sendo instalados no Ginásio Hermilton Gadelha Pessoa e na Escola Messias Rodrigues. A prefeitura da cidade monta mais abrigos para atender a demanda.
Na região central da cidade, várias ruas estão cobertas pelas águas. Na Avenida Avelino Chaves, principal do município, o tráfego de veículos está interrompido. A água avança também para o prédio da Caixa Econômica Federal e da Prefeitura de Rio Branco, comprometendo qualquer tipo de atendimento.

Rio Acre pode voltar as subir no final de semana, alerta Defesa Civil
Na capital acreana o Rio Acre continua dando sinais de vazante. De acordo com a defesa civil, após medição as 6h de sexta-feira, 19, o manancial apresentava 15.64 metros. A medição dia anterior no mesmo horário apontava que o rio estava com 15,76 metros. O rio baixou doze centímetros em 24 horas.
A elevação no nível das águas atingiu 20 bairros. No total, 614 pessoas deixaram suas casas por causa da cheia, segundo a Defesa Civil. Cerca de 65 famílias foram levadas para abrigos, escolas públicas ou o parque de exposições, e 176 famílias acolhidas em casas de parentes.
Apesar o recuo nas águas do Rio Acre, o coordenador da Defesa Civil, major Falcão disse que a previsão é que o rio volte a encher nos próximos dias. “O Riozinho do Rola está na tampa, com 16,42 centímetros, que é um nível mais alto do que o registrado em Rio Branco. Toda essa água virá para cá e a previsão é que o rio volte a encher no final de semana”, disse.


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