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sexta-feira, 26 de junho de 2026
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Uma relação saudável com a comida: pode garantir uma alimentação adequada, inclusive durante a pandemia do COVID-19.

 

Você já parou para pensar na sua relação com a comida? A maneira como nos relacionamos com a comida diz muito sobre nós mesmo e a nossa própria vida, pois irá depender das nossas crenças, tabus, cultura, hábitos de vida, aprendizagem social, expectativas em relação a vida e ao corpo, por isso analisar a própria alimentação é algo complexo e íntimo.

Nossa alimentação segue caminhos muito mais subjetivos do que o simples fato de nutrir o corpo. Poderíamos comer uma infinidade de alimentos, mas escolhemos e restringimos aquilo que melhor se adapta a nossa realidade, pois a alimentação se forma no coletivo, na comunidade que estamos inseridos. Alimento envolve questionamentos, lembranças, relações afetivas, representações sociais, além dos valores nutricionais essenciais à vida.

Entendendo que o ato de comer não é algo tão simples quanto pensamos e que nossa relação com a comida depende de vários fatores e se inicia desde do nascimento, precisamos buscar manter uma relação saudável com a comida, e como fazer isso?

A relação com a comida muda de pessoa para pessoa, até porque cada um carrega o seu histórico e contexto individual de vida. Para começar a estabelecer uma boa relação com a comida, devemos deixar de dividir os alimentos em “bons” e ruins”, pois não existe alimento bom ou ruim, o que existe é um contexto em que o alimento está inserido, sendo importante avaliar a frequência, a quantidade, o restante da alimentação do indivíduo naquele dia, quem é a pessoa que está comendo. Por exemplo: comer brigadeiro numa segunda de manhã, pode não ser algo “bom” ou “saudável”, porém comer um brigadeiro em uma festa de criança é algo que faz parte daquele contexto, e devemos levar em consideração alguns aspectos como: qual a quantidade de brigadeiro que vou comer? De que forma eu vou comer esse brigadeiro? No resto do dia, como foi minha alimentação? Comer o brigadeiro me trará prazer ou culpa? Lembre-se que a nutrição busca o equilíbrio entre a alimentação, saúde do corpo e mente para que, assim, possa contribuir com a saúde, a qualidade de vida e a longevidade das pessoas. Precisamos buscar este equilíbrio em uma alimentação variada em que tudo pode fazer parte com moderação.

Além disso, para conseguir uma boa relação com a comida, procure escutar mais o seu corpo, prestando atenção nos seus sinais internos de fome e saciedade. Essa percepção é individual, e não existe uma fórmula pronta ou um tempo determinado para que isso aconteça. Mas lembre-se, que em alguns momentos, podemos nos alimentar guiados pelos desejos, pelos prazeres ou pelas emoções, o importante é entender a diferença, garantindo uma relação saudável com a comida, desde que esteja mais esclarecida, realizando o controle de cada escolha.

Sendo assim, o ato de comer é algo complexo que envolve estímulos internos e externos, que deve gerar prazer e não gerar sentimento de culpa, que está relacionado ao desenvolvimento de vários transtornos alimentares importantes na atualidade. Desperte para uma alimentação mais consciente entendendo melhor os benefícios que a alimentação equilibrada traz para sua saúde.

Profa. Dra. Camyla Rocha de Carvalho Guedine
Nutricionista (UFPB)
Doutora em Ciências da Nutrição (UFPB)
Professora Adjunta da Universidade Federal do Acre