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sexta-feira, 26 de junho de 2026
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Você olha para a Hierarquia da sua família?

Ao se falar em Constelações Sistêmicas, é fundamental compreendermos sobre as três Leis Sistêmicas ou Ordens do Amor percebidas por Bert Hellinger, por se constituir em base filosófica dessa abordagem sistêmica.

Quais são essas Leis?

1) A Hierarquia dos sistemas deve ser respeitada, quem chega primeiro no grupo tem prioridade sobre quem vem depois.

2) Pertencimento, ou seja, em um sistema todos tem o mesmo direito de fazer parte. Ninguém pode ser rejeitado ou excluído, independente do que são ou do que fazem.

3) Equilíbrio entre o dar e o receber nas relações deve ser igual ou proporcional por ambas as partes para haver a manutenção de relações estáveis, congruentes e duradouras.

Do que elas tratam?

São Leis Naturais e Universais que atuam diretamente nos relacionamentos humanos, independentemente da sua vontade, concordância ou mesmo crença. Não podemos visualizá-las por meio dos nosso olhos físicos, assim como não vemos a Lei da Gravidade, porém elas existem!

Para que elas servem?

Elas têm por objetivo deixar os sistemas equilibrados, unidos, fortes e em paz, pois a exclusão, a desordem, os conflitos e o desequilíbrio atrapalham o bom desenvolvimento dos sistemas, dos grupos que interagimos e do indivíduo em todas as áreas da vida.

Hoje, me aprofundarei na Lei da Hierarquia que tem muito a ver com o tema da coluna anterior: “Encontre o seu lugar no mundo”.

Todo sistema ou grupo obedece uma ordem cronológica de chegada e cada um deve se submeter a ela, permanecendo em seu devido lugar, sob pena de sofrer severas consequências nas mais diversas áreas da vida, como falência, doenças, tragédias, conflitos interpessoais, disfunções e outros.

Perante os pais, os filhos são e sempre serão pequenos, não importa quem eles foram ou são, fizeram ou deixaram de fazer. E quando estes se tornarem pais ou mães, passarão a ser grandes perante seus filhos. Muitas vezes, vemos pais se colocando no lugar dos filhos ou filhos se colocando no lugar dos pais, sendo que é pesado demais para um filho estar no lugar de um dos pais.

Entre irmãos, também existe uma hierarquia: o mais velho precisa ser visto e respeitado pelos demais como primeiro dos irmãos, assim como o caçula deve ser visto e respeitado como o último entre eles. No caso de abortos na família, independente de ter sido voluntário ou não, precisam ser vistos, reconhecidos e incluídos no sistema familiar como mais um membro. É importante ter ações de inclusão para essa criança que foi abortada, ou seja, excluída. Há muitos irmãos em lugares errados, em lugares de irmãos abortados e dessa forma, sentem a dor e a rejeição desse irmão. Quando eu escrever sobre a Lei do Pertencimento, deixarei mais claro esse tema dos abortos

Já em relação aos parceiros afetivos, não existe hierarquia, pois ambos começaram a se relacionar ao mesmo tempo, ou seja, entraram no sistema no mesmo momento. O mesmo vale para amigos e colegas de trabalho que você começou a se relacionar na mesma época. Porém, se for uma relação antiga de amizade ou de trabalho, esses sentirão a necessidade dessa relação ser vista e reconhecida por você, como uma relação que veio antes dos novos.

Quando se tratar de casamento, a hierarquia entre os parceiros só existe quando há um segundo casamento. Nesse caso, os filhos e os ex-parceiros dos relacionamentos anteriores precisam ser vistos, reconhecidos e respeitados para que essa nova relação flua naturalmente, sem bloqueios. Há muitos casos de filho se colocando no lugar do marido da mãe ou filha se colocando no lugar da esposa do pai.

Percebam que cada um de nós tem um lugar próprio na vida, que deve ser sustentado e amparado por nós mesmos. Além disso, é preciso respeitar a hierarquia a qual você faz parte nos mais diversos tipos de sistemas que participa, pois somos seres sociáveis, grupais e totalmente interconectados. Se alguém do grupo não respeita essa hierarquia existente, todos os outros membros sentem e são impactados negativamente por essa atitude.

Quando encontramos o nosso lugar no mundo e temos mais consciência sobre ele, seja de grande, pequeno ou igual em relação ao outro, seja de pai, filho, parceiro, ex-parceiro ou irmão, tudo flui melhor e com mais facilidade na vida, especialmente nos relacionamentos.

Quer descobrir se está no seu lugar?

Responda estas perguntas: Você faz tudo certo e mesmo assim tudo dá errado e só tem dificuldades? Por mais que você faça, você não é reconhecido? Você sabe que precisa mudar algo na sua vida mas não sabe o que e como começar? Você se sente totalmente perdido? Se a resposta for sim, provavelmente, você está fora do seu lugar.

Quando estamos fora do nosso lugar, nos sentimos inadequados, desconfortáveis, confusos, perdidos, irritados, fracassados, incapazes de fazer e realizar, com uma culpa muito grande em viver assim, além de se preocupar muito com o que o outro pensa a seu respeito. Quando estamos assim, estamos a serviço de alguém, fazendo algo no lugar de outra pessoa. É como estar nessa vida, vestindo a roupa de outra pessoa a todo tempo.

Estar no nosso lugar, é quando sentimos que a vida flui; quando nos sentimos bem e gratos pela vida; quando nos sentimos felizes por conseguirmos ser nós mesmos, de forma única e autêntica; é ter energia e motivação para fazer e realizar tudo que temos vontade e sonhamos. E as coisas vão fluindo, vão acontecendo e tudo fica mais maravilhoso.

As Constelações Sistêmicas é uma ciência dos relacionamentos que te ajuda a se olhar de uma forma muito mais ampla, pois nós seres humanos temos uma visão muito limitada sobre tudo. Essa abordagem nos ajuda a perceber se estamos ou não no nosso lugar. Se não estivermos, nos ajuda a encontrar o nosso lugar.

Aproveito o tema para compartilhar com vocês este vídeo que oferece um belo e rico ensinamento sobre o nosso lugar certo no mundo, na vida. Para quem não consegue acessar o vídeo, deixo a transcrição abaixo:

“Existe um lugar que é seu. Ninguém pode ocupar. Somente você. E ele vai continuar livre até que você o ocupe. Não existe sobreposição. Você começa a se aproximar dele quando passa a ser mais verdadeiro com você mesmo. Quando canta a música no seu tom e no seu timbre. Quando dança do seu jeito e no seu ritmo. Quando desenha com suas cores e com suas canetinhas. Quando escreve com as suas palavras e com a sua letra. Quando para de tentar se encaixar no lugar dos outros e faz do seu jeito.Vou te contar um segredo que provavelmente você já sabe. Não adianta você querer ser igual às pessoas que você admira. Você admira elas não pelo que elas fazem ou por quão incríveis elas são. Você admira elas porque elas estão nos seus lugares. Simplesmente por isso. Em um mundo onde tentamos ser iguais, pertencer e copiar o que os outros fizeram, ver alguém ocupando seu lugar é admirável. Gostamos disso. Eu sinto isso quando escuto aquela pessoa com a voz doce cantando. Quando vejo o criativo criando. Quando vejo o cuidador cuidando. Quando vejo o espírito livre viajando. Quando vejo aquele cara que gosta de natureza no meio do mato. Quando escuto um músico tocando de olhos fechados. Cada um tem seu lugar. Não existe ninguém mais especial que o outro. Não existe ninguém mais talentoso. Não existem sortudos, escolhidos ou privilegiados. Somos todos iguais. Somos todos únicos. O que nos diferencia é o lugar que ocupamos. E uma peça de centro não encaixa na lateral. E é exatamente isso que acontece hoje em dia. Temos artistas em funções burocráticas. Temos pessoas doces e sensíveis bancando o gerente frio. Temos cuidadores longe das pessoas. O mundo seria um lugar incrível se cada um ocupasse o seu lugar. Formaríamos o mais belo quebra-cabeças do mundo. E como podemos começar a mudar isso? Já está mudando. A mudança acontece quando você vai se aproximando do seu lugar. Algumas pessoas já se encontraram. Agora devem permanecer lá. Uma peça posicionada corretamente, no lugar certo, serve de referência para as demais peças. Dá segurança. E é isso que estou tentando fazer aqui. Permanecer no lugar que já encontrei. Às vezes eu me movo. Eu duvido que seja assim tão fácil. Eu me desequilibro. Eu saio do meu eixo. Mas sempre acabo voltando ao mesmo lugar. Ao meu lugar. E agora quero ficar aqui. Pra te ajudar a encontrar o seu. E quando você encontrar o seu lugar, sem fazer nada, vai ajudar os outros. Apenas sendo você mesmo. Apenas ocupando seu lugar. Seu lugar no mundo.”

Deixo ainda, essa tarefa semanal para vocês com muito carinho. A intenção é que vocês reflitam de forma mais profunda sobre esse tema e encontrem o seu lugar no mundo:

Respire devagar, Medite por 5 a 10 minutos e Pergunte-se internamente:

Eu me sinto no meu lugar na minha família e no mundo? Eu faço no meu dia a dia, somente o que eu gosto e trabalho com o que amo? Qual meu propósito de vida? Quais meus dons e talentos? Me sinto na minha melhor versão? Eu namoraria comigo mesmo? O que eu posso fazer por mim em 1 ano, sem depender de ninguém, para estar mais próximo dos meus sonhos? Eu conheço todos os meus papéis na vida? Quando estou atuando em cada papel, seja como pai, filho, marido ou profissional, eu assumo o meu papel da melhor forma? Eu entrego o meu melhor para as pessoas e para o mundo?

Pare por alguns minutos do seu dia e presenteie-se com esse momento de se olhar, se conhecer melhor e se fortalecer! Até a próxima terça-feira!