O cuidado vive
do amor,
da ternura,
da carícia
e da convivência
para continuar existindo.
Quando um verão chegou me avisando para colocar muito insumo no existir, é porque eu pisava distraído, nas folhas secas das mangueiras, em plena primavera amazonina. Essa mesma primavera que precisa ser continuamente alimentada, as vezes espalha sobre a terra, a sua insônia. Reza a lenda, que no período seco de cada ano, se alguém pisar numa folha chovida de ontem, ela não estala, amassa. O índio mais velho me disse que é a maneira mais antiga da natureza dizer para o cuidador que, tudo que existe precisa de cuidados: uma planta, uma criança ou um rio. Segundo o Pajé, o verão vem para nos mostrar que os rios na bacia amazônica, são vítima potencial da insensibilidade humana. Jogam tudo, até o mais ou menos. Quem sabe, esse texto possa acordar a serpente que mora em cada volta do rio.
Nesse caso, será que o verão quer me dizer que leu numa estrofe do Hino Nacional Brasileiro (….) nossos bosques vivos, temais vidas. Fiquei ali, imaginando um verão fazendo novas notas para uma velha canção. Parece que a humanidade, desconhece a responsabilidade ambiental de uma árvore para a vida no planeta terra.
Graças a fotossíntese, uma árvore exala para o meio ambiente, grande quantidade de oxigênio puro. Quão seria eficaz se a humanidade se espelhasse no respeito, na lição de convivência que pode nos ensinar, o poético encontro do rio Negro e do rio Solimões. Dois mundos que se encontram com interesse harmônicos: mostrar que precisamos respeitar e defender os ecossistemas naturais, como eles precisam ser respeitados.
Não há tempo a perder com a ganância, egoísmo e prepotência. Somos convidados a tomar firmes atitudes em defesa do nosso planeta e de nossas próprias vidas. Não queremos chegar a 2080 usando macacão, contra radiação solar, deixando apenas os olhos de fora. Que, aliás, estarão escondidos por óculos escuro.
Haveremos de plantar flores e rosas num roçado de boa vontade, para afastar a ameaça que ronda a vida na sua essência, e ao mesmo tempo, assumir o compromisso de sensibilizar cada cidadão para o risco que correremos, se não reduzirmos o avanço do desmatamento da floresta e a morte dos rios.
Quando o verão chegou, eu, o pajé e o beija flor azul, estávamos sentados num barranco íngreme, assistíamos dois fenômenos da natureza: o sol se recolhendo para dá lugar a noite com todas as estrelas, e o rio esculturando o barranco para não toldar a água que tantas vezes, sede matou. Na beira do rio, o bosque em flor transportava o meu pensamento para uma forte oração. Ficamos ali procurando palavras para explicar o conceito de um rio majestoso, numa praia qualquer. Foi aí que que eu decidir voltar para margem, mas sem querer voltar, pra não ter que chorar, quando um perdão não vem do coração. Aliás ninguém consegue sair do brilho da luz do teu bangalô. Você será um céu para a humanidade tocar



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