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Programa de Saúde Mental promove vida plena aos pacientes de Rio Branco

Programa de Saúde Mental promove  vida plena aos pacientes de Rio Branco

Otratamento de dona Maria de Jesus Borges de Oliveira chegou a um novo tempo com a descentralização do programa de saúde mental, que na mesma proporção fez crescer o acesso das pessoas à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em Rio Branco. Nascida no Seringal Fortaleza, em Sena Madureira, Maria de Jesus é moradora do bairro Pedro Roseno, localizado bem próximo da Unidade Básica da Saúde Máximo Diogo Magalhães, no bairro Jequitibá, de onde regularmente parte a equipe de saúde da família em direção a sua casa. A equipe é composta pelo médico Thiago Carvalho, o enfermeiro Aryel Thomaz e a agente comunitária de saúde Marcela Paiva. Todos são muito próximos de Maria de Jesus, mas Marcela Paiva já é considerada “da família”. “É a ela que eu recorro quando preciso”, disse Maria de Jesus, que encontrou no programa de saúde mental um conforto em seus problemas que já nem são mais recorrentes. Ela ficou deprimida depois de parar de fumar. A solidão só cresceu quando o filho teve de sair de casa para estudar Medicina.

Com ajuda da filha, a consultora de RH Maria da Penha, ela já vinha recebendo atendimento na rede de alta complexidade, consultando-se no Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac) e o programa de saúde mental da Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco (Semsa) entrou na vida dela num momento agudo da crise, promovendo um resgate da sua qualidade de vida ao complementar o cuidado da família. “Recebi uma paciente que insistia em estar triste e eu pedi que ela repetisse: posso vencer! Eu sou uma vitoriosa!”, contou o médico Thiago Carvalho. De outro lado, há consultas em que o enfermeiro Aryel passa duas horas conversando com o paciente. “Ás vezes só precisam disso, de um pouco de atenção”.

A Rede de Atenção Psicossocial – RAPS foi criada oficialmente em 2013 no Brasil, quando o País começou a criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A RAPS, segundo explica a Área Técnica de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas da Semsa têm como objetivos gerais a ampliação do acesso à atenção psicossocial da população em geral, a promoção de vínculos das pessoas com transtornos mentais e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, e suas famílias aos pontos de atenção e a garantia da articulação e integração dos pontos de atenção das redes de saúde no território qualificando o cuidado por meio do acolhimento, do acompanhamento contínuo e da atenção às urgências. O advento da RAPS, com a característica da descentralização, faz com que hoje a Semsa tenha 6.000 pacientes na Estratégia de Saúde da Família e mais 2.500 usuários da atenção básica em tratamento de saúde mental. Este último número refere-se aos pacientes regulados pelas cinco Unidades de Referência em Atenção Primária (URAPs) de Rio Branco –ou seja, onde o paciente de grau leve ou moderado recebe a atenção básica.

Pacientes que fazem tramento Terezinha Francisca Arnaldo e Ramona 2

Diálogo e terapia melhoram qualidade de vida das pessoas nas unidades básicas de saúde

Eis um bom exemplo da funcionalidade da atenção primária em saúde mental: a UBS Luana de Souza Freitas, no bairro da Conquista, utiliza a consulta compartilhada e as rodas de diálogo no atendimento do Programa de Saúde Mental. A equipe conta com o médico cubano Josué Tellez, que trabalha com a perspectiva de redução dos medicamentos mais fortes para seu público, em geral idosos. A enfermeira do programa naquela UBS, Cleide Araújo, identificou que os idosos de sua área são os que mais precisam da atenção em saúde mental.

A partir de uma roda de diálogo com os pacientes Terezinha Costa, de 75 anos; Francisca Gurgel, 57; Arnaldo Pereira, 67, e Ramona Rolon Rodrigues, 58, com o médico e enfermeiras da UBS, juntos planejaram a implantação de uma horta como atividade terapêutica do programa. “Nós gostamos muito de vir pra cá. Muito bom estar aqui”, disse Ramona Rodrigues, que é espoa de Arnaldo Pereira. O casal frequenta junto o programa.

Sa de Mental profissionais fazendo atendimento em casa

Resultados mostram eficiência da atenção básica em saúde mental

Os resultados do trabalho da Rede de Atenção Psicossocial são práticos, objetivos e, apesar de depender de um trabalho contínuo, estão vindo mais rápidos: “melhorou a autonomia das pessoas, o desempenho psicológico e emocional e agora os pacientes tem uma vida plena”, relata a enfermeira Vanessa Araújo, que demonstra grande felicidade em trabalhar com esse perfil de paciente. O trabalho realizado em favelas do Rio de Janeiro e nos manicômios do interior de São Paulo contribuiu com uma outra visão para alcançar esses resultados obtidos principalmente com o reforço ao programa de saúde mental pós-descentralização, o que ocorreu com maior evidência nos últimos quatro anos.

A enfermeira Vanessa Araújo, coordenadora da Área Técnica de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, lembra que a Rede de Atenção Psicossocial também tem vários objetivos específicos, como a promoção dos cuidados em saúde particularmente aos grupos mais vulneráveis (criança, adolescente, jovens, pessoas em situação de rua e populações indígenas); a prevenção do consumo e a dependência de crack, álcool e outras drogas; a redução de danos provocados pelo consumo de crack, álcool e outras drogas; a reabilitação e a reinserção das pessoas com transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas na sociedade, por meio do acesso ao trabalho, renda e moradia solidária; mas ainda inclui a melhoria dos processos de gestão dos serviços, parcerias entre outros.

Sa de Mental Thiago Carvalho 1
Recebi  uma paciente que insistia em estar triste e eu pedi que ela repetisse: posso vencer! Eu sou  uma vitoriosa! – médico  Thiago Carvalho

Ações integralizadas facilitam o cuidado com todos os pacientes

Em uma ação integralizada, a Prefeitura de Rio Branco, através da Semsa, tem vinculado vários programas à Rede de Atenção Psicossocial. Um deles é o Consultório de Rua, onde um veículo com profissionais das áreas de Saúde e de assistência social percorre regiões da cidade com o objetivo de oferecer atendimento a moradores de rua e usuários de álcool e drogas, como o crack. Em Rio Branco, o programa atende a 210 pessoas, sendo 43 mulheres.

Outro programa da Rede de Atenção Psicossocial é o ”Famílias Fortes” (PFF), que busca fortalecer vínculos familiares para prevenir o uso de drogas ilícitas. A rede mantém ainda o programa #TamoJunto, também de prevenção às drogas voltado para adolescentes –e o Jogo Elos – Construindo Coletivos, também ajuda no enfrentamento ao uso de substâncias tóxicas entre os estudantes do ensino fundamental. O objetivo desse último programa é construir novos modos de convivência social, e buscar incidir sobre comportamentos do tipo agressivo, hiperativo, tímido e isolado socialmente, considerados fatores de risco a possíveis problemas psicossociais, entre eles o envolvimento abusivo com o uso de álcool e outras drogas.