Denominado Maracutaia, o campo da Funbesa (Fundação do Bem Estar Social) abrigou várias gerações de craques que depois, a exemplo de Antônio Júlio, brilharam pelas grandes equipes do futebol acreano. Casos, por exemplo, de gente como os meio campistas Mariceudo, Carioca e Zito, além do lateral Sabino (irmão de Antônio Júlio) e do atacante Vidal.
Nascido em 27 de março de 1964, Antônio Júlio foi levado para os juvenis do Juventus em 1982, aos 17 anos, pelas mãos do professor José Aparecido, o Nino, que além de funcionário da Funbesa também trabalhava no Clube do Povo. “Na época, fomos eu e o Zito. Logo de cara fomos campeões estaduais da categoria e eu fui o artilheiro”, explicou o ex-atleta.
Ficou somente um ano no time juvenil. Em 1983, foi chamado para o time principal, pelo técnico José Aníbal Tinoco. Mas jogou pouco nesse ano, uma vez que o titular do comando de ataque juventino era Antônio da Loteca, contratado de um time do Amapá. Em 1984, tornou-se o dono da posição, sob o comando do técnico Walter Félix de Souza, o popular Té.
Títulos e fim de carreira precoce
Antônio Júlio permaneceu no time titular do Juventus de 1984 a 1987, sagrando-se campeão no primeiro ano e vice nos anos seguintes. “Nós perdemos três decisões consecutivas. Em 1985 perdemos para o Independência,
em 1986 perdemos para o Rio Branco e em 1987 deixamos o título escapar para o Atlético. Foi uma maré de azar”, disse o ex-craque.
Em 1988, Antônio Júlio viu-se obrigado a mudar de ares, uma vez que o Juventus resolveu fazer uma reformulação quase total no elenco. Foi aí que o ex-centroavante vestiu a segunda camisa na sua breve carreira de jogador de futebol “federado”. Justamente a camisa tricolor do Independência, atendendo a um convite do então diretor Emilson Brasil.
Jogou apenas um ano pelo Independência, sagrando-se pela segunda vez campeão estadual e resolveu parar com a bola precocemente, aos 24 anos. “Eu joguei quatro anos com um problema no joelho, fruto de uma pancada que eu levei num treino, no primeiro ano de Juventus. O meu joelho esquerdo sempre inchava depois dos jogos”, explicou Antônio Júlio. “Foi uma despedida em alto estilo, embora a minha mãe [Dona Zélia], juventina fanática, não tenha gostado nem um pouco de me ver defender as cores de outro clube. Acontece que o Juventus não me queria mais por lá. E, além disso, o Independência me ofereceu uma boa quantia para que eu me mudasse para o Marinho Monte”, garantiu o ex-artilheiro.
Convites para jogar em outros centros recusados
Por duas vezes Antônio Júlio foi convidado para jogar por equipes de fora do Estado. Primeiro, por um time do Equador, o mesmo para o qual foi o Guga, um carioca que esteve no Juventus, em 1984. Depois, em 1987, pelo paraense Paysandu. Mas o amor da sua mãe, tanto por ele quanto pelo Juventus, acabou em ambas as oportunidades impedindo o negócio. “Pior foi na vez em que surgiu o interesse do Rio Branco para que eu defendesse o Estrelão. Um diretor do clube foi lá na minha casa com uma pasta cheia de dinheiro. Minha mãe começou a chorar e ligou para o pessoal do Juventus. Este mandou que eu pedisse uma quantia enorme. Pedi e os caras toparam. Mesmo assim, eu não fui”, relatou Antônio Júlio.
Sobre o futebol que se joga hoje, Antônio Júlio não gosta muito de falar. Diz que nem frequenta mais os estádios. Mas, como alguma insistência, ele acaba emitindo a opinião de que “atualmente o vigor físico e a correria é que determinam o ritmo de jogo, enquanto que antigamente os jogadores eram bem mais técnicos, apesar dos péssimos gramados”. Não se diga, entretanto, que o desapego pelo futebol atual signifique um divórcio definitivo do ex-craque com o mundo da bola. Apesar de muitos quilos acima do peso e do joelho danificado, ele ainda bate sua peladinha todos os domingos, no campo da Federação. “Ainda tenho uma canhota eficiente e faço os meus golzinhos”, encerrou a entrevista sorrindo.

Juventus – 1984. Em pé, da esquerda para a direita: Lécio, Venícius, Joneudes, Sabino, Milton, Roberto, Delcir, Mauro, Maurício (preparador físico) e Raimundo Castro (fisioterapeuta). Agachados: Manoelzinho, Gerson, Zito, Antônio Júlio, Dadão, Adriálvaro, Vidal e Aníbal. Arquivo Pessoal/Francisco Dandão.


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