O episódio de El Niño previsto para 2026/2027 pode alcançar uma intensidade excepcional, segundo projeções meteorológicas que apontam para uma anomalia superior a 4°C na região do Niño 3.4, no Oceano Pacífico equatorial.
A área é uma das principais referências utilizadas pelos meteorologistas para acompanhar a evolução e a intensidade do fenômeno. De acordo com projeções do modelo ECMWF utilizadas pelo Meteored, o aquecimento deve continuar nos próximos meses e pode atingir o ponto máximo entre novembro e dezembro.
Embora as projeções ainda possam sofrer alterações, os números chamam atenção porque indicam um episódio potencialmente entre os mais intensos já observados nos registros históricos.
Pacífico registra temperaturas elevadas
Além das projeções para os próximos meses, as temperaturas observadas no Pacífico já apresentam níveis elevados. Dados monitorados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicaram temperatura da superfície do mar superior a 30°C na segunda-feira (5).
O acompanhamento realizado desde 1981 aponta que a região vem registrando temperaturas excepcionalmente altas. Segundo o Meteored, recordes diários vêm sendo registrados desde junho, quando comparados aos períodos anteriores da série.
A tendência indicada pelos modelos é de continuidade do aquecimento até o fim do ano, o que pode elevar ainda mais a intensidade do fenômeno.
Anomalia pode se aproximar de 5°C
As projeções do ECMWF indicam que a chamada anomalia absoluta pode se aproximar de 5°C entre novembro e dezembro, considerando também os efeitos do aquecimento global sobre as temperaturas do oceano.
Quando considerada a anomalia relativa, que compara a temperatura atual com a média histórica de referência, o cenário mais extremo aponta para aproximadamente 3,7°C. A projeção média fica em torno de 3,5°C.
Os valores ainda representam uma previsão e podem mudar conforme novas observações do oceano e da atmosfera sejam incorporadas aos modelos meteorológicos.
Fenômeno pode permanecer forte até 2027
As projeções indicam que o El Niño poderá permanecer na categoria forte até abril de 2027. A duração e a intensidade do episódio podem provocar alterações nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do Brasil.
Alguns cenários avaliados por especialistas também apontam para a possibilidade de o episódio de 2026/2027 alcançar uma intensidade comparável ou superior à de alguns dos eventos mais fortes registrados ao longo dos últimos 150 anos.
Isso não significa, porém, que um novo recorde histórico já esteja confirmado. A intensidade definitiva do fenômeno só poderá ser determinada conforme os dados observados forem consolidados.
Sul do Brasil pode ter mais tempestades severas
Entre as áreas que podem sentir os efeitos da configuração atmosférica está o Sul do Brasil. No Oeste de Santa Catarina, as projeções para a primavera indicam condições favoráveis à ocorrência de episódios de instabilidade mais severos.
A região está inserida no chamado corredor de tornados, área onde determinados sistemas meteorológicos podem ganhar força durante a primavera e favorecer a formação de tempestades intensas.
Entre os fenômenos que podem ocorrer estão chuvas volumosas, granizo, vendavais e, em condições específicas, tornados. A presença do El Niño, entretanto, não significa que esses eventos ocorrerão necessariamente em determinado local, já que a formação de tempestades depende de uma combinação de fatores atmosféricos.
Outubro e novembro concentram atenção
O meteorologista Piter Scheuer avalia que outubro e novembro podem concentrar os períodos de maior atividade das instabilidades no Oeste catarinense.
Segundo a avaliação apresentada, os sistemas meteorológicos podem se tornar mais frequentes e organizados, reduzindo o intervalo entre episódios de tempo severo.
Com o avanço do El Niño e a continuidade do monitoramento das temperaturas do Pacífico, os próximos meses serão importantes para confirmar se as projeções atuais se mantêm e qual será, de fato, a intensidade alcançada pelo fenômeno.


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