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sexta-feira, 19 de junho de 2026
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Chacina no AM: investigação aponta fazendeiros mineiros como supostos mandantes

A investigação sobre a chacina que deixou três mortos no município de Lábrea, no sul do Amazonas, passou a apurar a possível participação de fazendeiros de Minas Gerais como mandantes do crime. O caso ocorreu em 25 de abril de 2026, em uma área marcada por disputas fundiárias na divisa entre os municípios de Lábrea e Boca do Acre.

As vítimas foram identificadas como Josias Albuquerque de Oliveira, de 45 anos, seu sobrinho, um adolescente de 14 anos, e Antonio Renato Vieira de Souza, de 32 anos. Um quarto ocupante do veículo sobreviveu ao ataque e prestou depoimento às autoridades.

Segundo as investigações, o grupo foi alvo de uma emboscada enquanto trafegava por uma estrada próxima ao assentamento PA Monte, às margens da BR-317. O veículo foi atingido por diversos disparos e acabou caindo em um rio. Conforme relato do sobrevivente, o adolescente conseguiu sair do automóvel e tentou escapar nadando, mas foi alcançado e morto pelos atiradores.

Presos poucas horas após o crime, Lucas Pessoa dos Santos, de 26 anos, e Edenilson Silva dos Santos, de 34 anos, confessaram participação na ação criminosa. Em depoimentos iniciais, ambos teriam apontado integrantes da família Coelho Diniz como responsáveis pela contratação da execução.

De acordo com os relatos prestados logo após a prisão, os suspeitos afirmaram que as armas utilizadas no crime, incluindo um fuzil AR-15 e pistolas, teriam sido fornecidas pelos supostos mandantes. Lucas Pessoa, que trabalhava em propriedades rurais da região, citou o empresário Moisés Diniz como responsável pela ordem de proteger terras e rebanhos contra alegados invasores.

No entanto, durante a audiência de custódia realizada no dia seguinte, os acusados mudaram suas versões. Acompanhados por advogado, alegaram que foram pressionados por policiais a apontar fazendeiros como mandantes do crime. Também afirmaram que o armamento utilizado não teria sido fornecido por terceiros.

Apesar da mudança de versão, a investigação identificou elementos considerados relevantes para a apuração. A motocicleta utilizada na fuga dos suspeitos está registrada em nome de Paulo Oliveira da Silva, apontado como administrador da Agropecuária CD, empresa ligada a Moisés Diniz.

Outro ponto analisado pelos investigadores envolve a atuação do advogado Pedro Henrique Ramos de Moura, que assumiu a defesa dos executores logo após a prisão e já havia representado anteriormente o administrador da propriedade rural em outro procedimento policial.

A família Coelho Diniz possui forte atuação empresarial em Minas Gerais, com participação em diversos segmentos econômicos e propriedades rurais na região amazônica. Entre Boca do Acre e Lábrea, o grupo mantém fazendas que já foram alvo de autuações ambientais e disputas judiciais relacionadas à posse de terras.

As investigações apontam que o conflito fundiário na área se arrasta há anos. Em 2021, Josias Albuquerque já havia sobrevivido a um atentado. Posteriormente, decisões judiciais envolvendo a posse da área ampliaram as tensões entre ocupantes e proprietários rurais.

Dados de entidades ligadas à defesa dos direitos humanos e à questão agrária indicam que a região registra histórico de violência no campo, com diversos homicídios relacionados a disputas territoriais ao longo dos últimos anos.

Procurado pela reportagem, Moisés Diniz negou qualquer envolvimento com o triplo homicídio. O empresário confirmou que um dos acusados trabalhou em suas propriedades, mas afirmou desconhecer conflitos agrários na região e ressaltou que não figura formalmente como investigado no inquérito.

Outros integrantes da família citados na apuração não se manifestaram sobre o caso. A defesa dos executores informou que as manifestações serão apresentadas exclusivamente nos autos do processo.

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas instaurou um procedimento específico para investigar a possível existência de mandantes, financiadores e demais integrantes da cadeia de comando do crime. O inquérito segue em andamento e busca esclarecer todas as circunstâncias da chacina.

Com informações da Folha de S.Paulo.