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sexta-feira, 26 de junho de 2026
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PGR mantém negociações e dá sobrevida à delação de Daniel Vorcaro

A tentativa de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou um novo capítulo. Mesmo após a Polícia Federal rejeitar a proposta inicial apresentada pela defesa do empresário, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu manter abertas as negociações e permitir que uma nova versão do acordo seja construída.

A decisão foi tomada em Brasília após avaliação de que, embora o material entregue contenha falhas e pontos considerados insuficientes, ainda existem informações que podem contribuir para o avanço das investigações.

Com isso, a estratégia da defesa mudou de rumo: agora, o objetivo é reformular os relatos apresentados anteriormente e negociar diretamente com integrantes da equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet, na tentativa de evitar o encerramento definitivo da colaboração.

PGR segue negociação mesmo sem aval da PF

De acordo com informações divulgadas pelo jornal Estadão, integrantes da PGR entenderam que a proposta entregue possui lacunas relevantes, mas não descartaram completamente a possibilidade de acordo.

A partir desse movimento, a Polícia Federal deixou de participar das tratativas e o diálogo passou a ocorrer exclusivamente entre a defesa de Vorcaro e representantes da Procuradoria.

Pela legislação brasileira, um acordo de colaboração premiada pode ser firmado diretamente com o Ministério Público, sem necessidade de participação da Polícia Federal. Ainda assim, a defesa terá de apresentar elementos considerados consistentes para convencer o órgão.

PF apontou ausência de informações inéditas

Antes da decisão da PGR, investigadores da Polícia Federal haviam concluído que os relatos apresentados por Vorcaro não trouxeram novidades relevantes em relação ao material já reunido durante as apurações.

Segundo a avaliação interna, grande parte das informações já estaria documentada em provas anteriores, especialmente conteúdos extraídos de aparelhos eletrônicos apreendidos durante a investigação.

Diante disso, a corporação optou por interromper as negociações no formato inicialmente proposto.

Defesa tenta preservar possibilidade de benefícios

Preso desde março por decisão do ministro do STF André Mendonça, Daniel Vorcaro busca manter aberta a possibilidade de obter benefícios jurídicos por meio da colaboração premiada.

Nos bastidores, integrantes da Procuradoria avaliam que encerrar as negociações neste momento poderia gerar questionamentos sobre a condução do processo. Por isso, ainda existe espaço para que os advogados apresentem uma proposta considerada mais robusta.

Mesmo que a PGR aceite o novo acordo, a colaboração ainda precisará passar pela homologação de André Mendonça para produzir efeitos legais.

O ministro já indicou à defesa que não pretende validar uma delação que apresente omissões ou fragilidades, aumentando a pressão sobre os próximos passos da negociação.