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terça-feira, 23 de junho de 2026
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Governo Lula define prazo para acabar com escala 6×1 e reduzir jornada de trabalho

O governo federal pretende dar andamento, logo após o Carnaval, a uma proposta legislativa que prevê o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e descansa apenas um. A iniciativa será enviada ao Congresso Nacional com pedido de urgência constitucional e está entre as prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para este semestre.

A proposta busca alterar a atual lógica da jornada de trabalho no país e reacendeu o debate em Brasília, mobilizando parlamentares, centrais sindicais e representantes do setor produtivo. A expectativa do Planalto é acelerar a tramitação por meio da unificação de projetos já em discussão, encurtando o caminho até a votação.

Mais do que garantir um dia extra de descanso semanal, o centro da discussão envolve a redução da carga horária total. Hoje, a Constituição permite até 44 horas semanais, mas as propostas em análise apontam para dois cenários principais: a redução para 40 horas semanais, que pode beneficiar cerca de 22 milhões de trabalhadores, ou para 36 horas, alcançando até 38 milhões de brasileiros, com impacto direto especialmente sobre mulheres submetidas à dupla jornada.

Entre os defensores da mudança está o senador Paulo Paim (PT-RS), autor de uma das propostas mais avançadas no Senado. Para ele, o momento é decisivo. O parlamentar avalia que até setores tradicionalmente resistentes, como comércio e hotelaria, já começam a assimilar a necessidade de adaptação ao novo modelo.

A decisão de acelerar a proposta reflete uma combinação de fatores políticos e sociais. Um deles é a pressão popular nas redes sociais, que transformou o tema em pauta recorrente do debate público. Outro é a articulação entre lideranças do Congresso, que demonstraram disposição para construir um texto de consenso a partir dos sete projetos atualmente em tramitação.

Pesa ainda o argumento da saúde mental. Dados recentes do INSS apontam que, somente em 2024, foram registrados 472 mil afastamentos por transtornos mentais. Para o governo e parlamentares aliados, a redução da jornada pode contribuir para combater o esgotamento físico e quadros como a Síndrome de Burnout.

Apesar do avanço político, a proposta enfrenta resistência do setor empresarial, que alerta para possíveis aumentos nos custos da mão de obra e riscos de desemprego. Em resposta, defensores do projeto argumentam que mais tempo livre tende a estimular o consumo e fortalecer o mercado interno.

Aliados do governo também citam como precedente recente a aprovação de projetos que reestruturaram carreiras no Legislativo federal, incluindo mecanismos de licença compensatória. Para parlamentares favoráveis à mudança, a medida reforça o debate sobre a necessidade de estender benefícios semelhantes à massa de trabalhadores brasileiros.