Por muitos anos, os adoçantes foram tratados como alternativa segura ao açúcar tradicional. Presentes em refrigerantes “zero”, doces dietéticos, barras proteicas e produtos da linha cetogênica, eles ofereceriam o sabor doce sem calorias e sem impacto na glicemia.
Mas pesquisas recentes ligaram o alerta para um dos adoçantes mais comuns: o eritritol. Estudos científicos sugerem que o composto pode estar relacionado a um risco maior de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente em pessoas com predisposição a doenças cardiovasculares.
O eritritol é um álcool de açúcar encontrado naturalmente em pequenas quantidades em algumas frutas, mas produzido em larga escala para a indústria alimentícia. Ele ganhou espaço por não elevar a glicose no sangue, não estimular a liberação de insulina e causar menos desconforto intestinal do que outros adoçantes — o que levou à sua aprovação por agências regulatórias ao redor do mundo, inclusive no Brasil.
Nos últimos anos, porém, evidências começaram a sugerir que ele pode afetar o sistema vascular. Um estudo publicado em 2025 na PubMed Central observou que níveis mais altos de eritritol no organismo estavam associados a maior risco de doença coronariana, ataque cardíaco e AVC, embora não tenha havido relação significativa com insuficiência cardíaca ou diabetes.
Outra pesquisa, conduzida na Universidade do Colorado e publicada no Journal of Applied Physiology, analisou células dos vasos sanguíneos do cérebro expostas a uma concentração de eritritol comparável à encontrada em bebidas adoçadas. Em poucas horas, foi observado aumento expressivo do estresse oxidativo e redução da capacidade do organismo de dissolver coágulos — um fator que pode elevar o risco de eventos trombóticos.
Esses achados se somam a um estudo publicado em 2023 na revista Nature Medicine, que acompanhou mais de 4 mil pessoas e detectou maior incidência de eventos cardiovasculares entre indivíduos com níveis elevados de eritritol no sangue.
Apesar disso, os pesquisadores destacam que os resultados não significam que o consumo ocasional cause infarto ou AVC, sobretudo em pessoas saudáveis. A principal preocupação recai sobre o uso frequente e em grandes quantidades, especialmente entre quem já tem histórico de doença cardiovascular, hipertensão ou outros fatores de risco.
Especialistas defendem cautela e novos estudos de longo prazo, sobretudo diante do crescimento do consumo de produtos “sem açúcar”. A substituição do açúcar pode trazer benefícios — mas, como mostram as pesquisas mais recentes, não é automaticamente isenta de riscos.
Para quem deseja reduzir o consumo de adoçantes, uma estratégia é diminuir gradualmente o nível de doçura na alimentação, permitindo que o paladar se adapte. Em receitas, alternativas naturais como frutas, especiarias, mel ou xarope de bordo puro podem ser usadas com moderação.
Com informaçoes NDMais


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