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Exportações para a China disparam 41% em novembro e compensam queda nas vendas aos EUA após tarifaço

Pequim, 13/05/2025 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, durante a cerimônia de assinatura de Atos, no Palácio do Povo.

As exportações brasileiras para a China cresceram 41% em novembro de 2025 na comparação anual, alcançando US$ 8,27 bilhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento (Secex/MDIC). No mesmo mês, as vendas para os Estados Unidos recuaram 28,1%, totalizando US$ 2,66 bilhões, em um movimento que evidencia trajetórias distintas entre os dois principais destinos das exportações nacionais.

O salto das exportações para a China foi puxado por itens tradicionais da pauta comercial bilateral — como soja e outros grãos, carnes, minérios, óleos combustíveis e semimanufaturados industriais — cuja demanda manteve-se firme, mesmo diante de incertezas globais.

Efeito das sobretaxas americanas

As vendas para os EUA sofreram impacto do chamado “tarifaço” aplicado por Washington — que estabeleceu sobretaxas de até 50% sobre determinada lista de produtos brasileiros — além da menor demanda por alguns bens industriais e combustíveis. A combinação de tarifas e perda de competitividade explicou boa parte da retração nas exportações para o mercado norte-americano.

O que muda para o comércio externo

O desempenho oposto de China e EUA reforça uma tendência dos últimos anos: a crescente centralidade do mercado chinês nas contas externas brasileiras, enquanto a relação com os Estados Unidos se mostra mais volátil, sujeita a ciclos industriais e medidas protecionistas. Para o Brasil, o fortalecimento das vendas à China ajuda a mitigar choques em mercados afetados por barreiras comerciais.

Em cerimônia no Conselhão nesta quinta-feira (4), o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo busca reverter tarifas e ampliar acesso a novos mercados, ressaltando que as medidas diplomáticas e comerciais são prioridade na agenda exportadora. “Mesmo com o tarifaço, seguimos com crescimento das exportações e a expectativa é bater recorde anual”, disse Alckmin.

Impacto no saldo comercial

O avanço das vendas à China compensou, em grande medida, a perda de receita com os Estados Unidos, contribuindo para manter o superávit comercial em novembro. O resultado do mês passou a ser um indicador relevante para a trajetória anual da balança, ilustrando o papel determinante do mercado asiático nas contas externas brasileiras.