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terça-feira, 23 de junho de 2026
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O que é o implanon. E por que ele chega ao SUS

O ministro da Saúde Alexandre Padilha anunciou no domingo (6) a oferta de implantes contraceptivos no SUS (Sistema Único de Saúde) a partir do segundo semestre.

Conhecido popularmente como Implanon, o método é considerado mais moderno e age por até três anos no organismo. A medida foi bem recebida por mulheres nas redes sociais, já que o método tem custo elevado na rede particular.

R$ 2 mil a R$ 4 mil é quanto varia o custo de um implante contraceptivo, segundo o Ministério da Saúde.

Atualmente, o implante é disponibilizado no SUS apenas para públicos específicos – como mulheres com HIV/Aids e em situação de rua.

Este texto explica como o Implanon atua no organismo, qual a sua segurança e como sua oferta será ampliada no SUS.

O que é o Implanon?

O Implanon é um contraceptivo em formato de bastão, comercializado pela farmacêutica holandesa Organon. Ele é aplicado com anestesia local e fica alojado sob a pele do braço pelo período de três anos – período de liberação do hormônio na corrente sanguínea. 

4 cm é o comprimento do Implanon.

2 mm é o diâmetro do bastão, feito de polímero.

Seu princípio ativo é o hormônio etonogestrel – que, diferente do estrogênio, não está associado ao aumento de tromboses em pacientes. Ele age assim como outros métodos contraceptivos hormonais: inibindo a ovulação e estimulando o espessamento do muco cervical para dificultar a passagem de espermatozóides. 

Segundo Cássia Raquel Teatino Juliato, professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e especialista em ginecologia e obstetrícia, o Implanon é bem aceito entre pacientes pela alta eficácia, acima de 99%. Apesar disso, ainda não é tão difundido no Brasil.

“Seu uso no Brasil é menor do que em alguns países de alta renda, como Reino Unido, Austrália e Estados Unidos. O implante é amplamente utilizado nos países em que o método faz parte de estratégias nacionais de contracepção, principalmente para adolescentes e mulheres com risco aumentado para gravidez não planejada”.

A segurança do método

O índice de falha do Implanon é menor do que em outros métodos, figurando em 5 entre cada 100 mulheres que usam o método por um ano. O nível de contracepção do implante é considerado alto e mais seguro do que procedimentos como laqueadura e vasectomia.

Por essa característica, o Implanon é classificado como Larc (sigla em inglês para contraceptivos reversíveis de longa duração). Isto é: um método eficaz e que não depende de uso contínuo ou correto – como no caso das pílulas, que devem ser ingeridas diariamente no mesmo horário.  

Entre os efeitos adversos do implante podem estar acnes, alterações de humor e mudanças no padrão menstrual – aumentando ou diminuindo o ciclo de sangramento. Pacientes também relatam períodos sem menstruação.

Apesar dos efeitos relatados, a maior parte das pacientes não abrem mão do método, seja pela eficácia ou pela praticidade (quando comparado ao uso de pílulas). 

“Além de ter uma eficácia maior, as taxas de continuidade são bastante altas e muito superiores a outros métodos, como as pílulas contraceptivas – que representam uma taxa de 55% em 12 meses, enquanto os implantes têm 85%”, disse Juliato.

As contraindicações são poucas, com limitações de uso para pacientes com:

Hipersensibilidade ao princípio ativo 

Sangramento vaginal sem causa definida

Pacientes com histórico na família, que estão ou que já tiveram câncer de mama

Diagnóstico de doença tromboembólica grave

Presença de tumores hepáticos ou doenças hepáticas graves 

A oferta no SUS

O implante contraceptivo chega ao SUS após aprovação pelo Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) – órgão auxiliar do SUS – em 2 de julho. O método deve ser oferecido em escala nacional a partir do segundo semestre, com a publicação de uma portaria e capacitação das equipes de saúde.

Antes da decisão, a Conitec já havia autorizado o método no SUS em abril de 2021 para públicos específicos: mulheres em situação de rua, com HIV/AIDS em uso de dolutegravir [medicamento antiviral], privadas de liberdade, trabalhadoras do sexo ou em tratamento de tuberculose em uso de aminoglicosídeos.

Na época, a decisão foi considerada discriminatória por considerar populações historicamente alvo de políticas higienistas e foi denunciada em nota por mais de 30 organizações – majoritariamente ligadas à defesa das populações com HIV/Aids. A medida foi uma espécie de plano B, já que o custo da universalização do método seria mais oneroso em relação a outros métodos – como as injeções contraceptivas.

Para Jaqueline Neves Lubianca, ginecologista e professora titular em ginecologia e obstetrícia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), priorizar os implantes como alternativa para mulheres que aguardam laqueadura pelo SUS pode ser viável – já que o método tem eficácia superior em alguns casos.

“A lei de ligadura tubária é muito ampla [em faixa etária]. Então imagine a espera [pelo procedimento no SUS] quando temos outro método que é reversível, extremamente seguro e que não exige procedimento cirúrgico, tem um custo menor e não exige grandes retornos hospitalares. Essa é a grande vantagem”, afirmou.

Agora, o Ministério da Saúde pretende resolver o impasse e ampliar o acesso. A nova medida atenderá mulheres de 18 até 49 anos – faixa etária considerada ativamente reprodutiva e soma o rol de métodos já oferecidos pelo SUS: pílulas anticoncepcionais e injetáveis, laqueadura e DIU (dispositivo intra uterino) de cobre, vasectomia e preservativos internos e externos.

1,8 milhão de dispositivos devem ser distribuídos pelo Ministério da Saúde até 2026

“Vamos orientar as equipes, fazer a compra e orientar as unidades Básicas de saúde de todo o Brasil para já no segundo semestre deste ano começar a utilizar no SUS”, disse o Alexandre Padilha.

Ainda neste ano, a pasta estima atender pelo menos 500 mil pacientes com o método. De acordo com o ministério, a medida também visa reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027.

Fonte: Nexo Jornal