OPINIÃO conversou com o deputado estadual eleito Nenem Almeida (Solidariedade). Ele obteve 4.113 votos no último domingo (7). Entre as sua propostas estão mais transparência nos gastos públicos e uma fiscalização atuante dos projetos executados pelo Executivo. Ele frisou que ainda não conversou com o governador eleito Gladson Cameli (PP) e mesmo fazendo parte da base de apoio fará um mandato independente e voltado para os interesses do coletivo.
Questionado sobre assumir uma das comissões da Aleac, ele destacou que é preciso cautela, mas não descartou presidir a Comissão de Orçamento e Finanças, uma das mais importantes da Casa Legislativa, isso porque tem conhecimento sobre economia e administração adquirida ao longo do tempo como servidor do Banco do Brasil.
Ele agradeceu a Deus, aos moradores do Bairro Cadeia Velha, aos amigos e a população do Acre pelos votos obtidos.
OPINIÃO – Como o senhor recebeu a notícia da sua eleição e qual a emoção que o senhor sentiu ao pensar: “estou eleito”?
Nenem Almeida – Na verdade a ficha ainda não caiu. Foram sete anos de muito trabalho, fomos bem votados em 2014, fomos o mais votado aqui em Rio Branco no PDT, mesmo assim o PDT não nos valorizou. Ficamos fora por 200 votos, mas agora Deus abençoou e tivemos essa vitória. Essa vitória não é minha, essa vitória é de um grupo de pessoas que decidiram mudar a política no Acre e em Rio Branco. Somos vitoriosos nessa batalha sempre agradecendo a Deus.
OPINIÃO- Para a sociedade conhecer melhor, quem é Neném Almeida?
Sou bancário do Banco do Brasil. Sou de origem pobre, minha casa era de cavaco e paxiúba, fui catador de lixo por 10 anos na cidade, depois quebrei muito concreto, trabalhei vendendo quibe, algodão doce, já tomaram muito meus algodões doce, levei muita porrada (risos), mas tudo isso agradeço muito a Deus e hoje me sinto um homem forte. Me tornei gerente do Banco do Brasil através dos estudos, meu pai sempre colocou nós para estudar. Hoje sou presidente do Sindicato dos Bancários, sou vice-presidente da AABB, sou vice-presidente do Conselho da AABB em todo o Estado, temos Cruzeiro do Sul, Sena Madureira, Rio Branco. Eu costumo dizer às pessoas que a minha vida foi um milagre, não só a minha vida como dos meus irmãos. O meu irmão é hoje chefe do Dnit. Três irmãos e os três catavam lixo na cidade e nossa vida é um milagre, Deus ajudou muito, sempre através dos estudos, através da honestidade.
Eu tenho que retribuir a sociedade o que Deus nos Deus. Ele dar e Ele cobra. Quem honra a Deus sabe que Ele fala com a gente através dos pensamentos, das pessoas… Ele me cobra muito e me diz: olha, eu lhe dei mais que você pediu. Desde 2011 a gente faz trabalhos sociais. A gente viu que somos pequenos. Decidimos entrar na política para mudar e fazer alguma coisa diferente. Espero que a gente faça um bom trabalho e não decepcione as pessoas e realmente o recurso que saia do governo chegue às pessoas que realmente precisem.

OPINIÃO- Quais seus projetos ao assumir em fevereiro na Assembleia Legislativa do Acre?
Uma coisa que eu acho errado é o deputado ganhar muito dinheiro, sabe. E um dos meus primeiros projetos será a redução dos salários dos deputados pela metade, no mínimo, e depois vincular ao funcionalismo público, aumentando o deles, que aumente de todo mundo. A gente tem que conquistar as coisas, ganhar bem mesmo, mas tem que trabalhar e fazer pra isso né, porque só ficar ganhando do povo não dar.
OPINIÃO- O senhor faz parte da base de sustentação do governador eleito Gladson Cameli, como será sua atuação?
Eu represento um grupo de pessoas que querem mudar. O Gladson eu ajudei, ele também me ajudou, mas a gente tem que sentar para conversar. Eu sou independente porque eu prego uma coisa que temos que fazer pela sociedade, o que eu achar correto eu votar e o que eu achar que não, não vou votar. Não sou ligado a ninguém, não. Sou ligado às pessoas que me elegeram e é nisso que as pessoas da Cadeia Velha acreditam, é isso que os bancários acreditam. Eu tenho que fazer o que é de acordo com a minha consciência. Fazer o que é melhor para o povo. Não sou ligado a ninguém, mas hoje eu sigo com o Gladson e digo se ele tiver coisas para o bem da sociedade vou votar a favor, se tiver ruim voto contra. Me considero independente.
OPINIÃO- O senhor pretende usar a tribuna sempre que necessário?
Eu como sindicalista gosto bastante de microfone. Todas as vezes que for preciso eu vou usar a tribuna, principalmente para defender o povo, porque eu sei o que é passar fome, você comer farinha com açúcar, quando tinha, não é fácil e quando vemos pessoas sofrendo, dói. Eu sei que sou só um pingo nesse oceano, sei que vou bater muito na trave e voltar, mas também sei que posso ser um exemplo, é isso que eu prego.
OPINIÃO- Como vai sua relação com a mídia?
Eu sempre tive uma boa relação com a mídia. Vou atender todos do mesmo jeito, com carinho como gostaria de ser atendido, sempre foi assim no sindicato, sempre foi assim no banco, sempre foi assim na AABB e vai ser assim na Assembleia também.
OPINIÃO – O senhor defende maior transparência dos gastos públicos tanto na Aleac quanto no governo do Estado? Como o senhor vê essa questão da transparência?
Quando eu fui para o Sindicato, o Sindicato não era obrigado a prestar contas e eu achava isso um absurdo e denunciamos isso e hoje o Sindicato em três em três meses tem que prestar contas ao Conselho Fiscal. Eu acho que não sou a favor de mais transparência, mas sim total transparência, para que qualquer cidadão possa entrar no site ou onde estiver disponível e veja os gastos, porque é um absurdo. Um deputado tem que ter muita transparência, tem que mostrar tudo, falar tudo.
OPINIÃO – O senhor pretende pleitear alguma comissão, a Comissão de Orçamento e Finanças, por exemplo, uma vez que o senhor é o bancário, conhece bem os números?
Eu sou formado em administração, com especialização em comércio exterior e também sou bancário. Eu não vou enfeitar aqui e dizer: vou fazer isso ou aquilo, mas digo a você: você verá um deputado atuante, transparente, realmente que é da sociedade. Eu quero que o recurso que saia para um asfalto de 10 cm que seja de 10 cm. Quando você libera para colocar um asfalto de 10 cm e vão e colocam 1 cm e o cidadão vai e bate o carro por conta de um buraco, a pessoa (gestor) é assassino igual quem puxa uma arma. Vou olhar para que as coisas cheguem às pessoas que realmente precisam. Eu quero muito ajudar ao Gladson, a oposição. Eu quero ser amigo, ser um deputado do bem.


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