Rio Branco
24°C
terça-feira, 23 de junho de 2026
22:54

“Estamos todos, surdos, cegos e loucos caminhando em direção ao abismo”

“Estamos todos, surdos, cegos e loucos caminhando em direção ao abismo”

Nos últimos meses vimos uma enxurrada de troca de ofensas pessoais e virtuais, uma verdadeira guerra travada em nome do voto. O período de campanha eleitoral aflorou ainda mais a chamada intolerância política. A um dia das eleições 2018, Opinião traz uma reportagem sobre o tema.

A jovem Ediane Caetano passou por uma situação vexatória no mês passado, ao postar na sua página, em uma rede social, um vídeo sobre um candidato, ela foi agredida verbalmente por um apoiador do candidato em questão.

“Compartilhei o vídeo com intuito de mostrar minha opinião é fui agredida verbalmente. Cada um tem sua opinião, vota em quem quiser, não é obrigado a concordar, porém não podemos agredir as pessoas dessa forma. A sociedade não tolera opiniões opostas”, disse.

Para a jovem, as pessoas perderam a capacidade de lidar com o contraditório. “Hoje em dia as pessoas não querem aceitar as opiniões das outras pessoas.

Segundo o psicólogo e poeta Kissinger Cândido, estamos vivendo um paradoxo, ao tempo em que o acesso à informação é facilitado, o comportamento dos cidadãos se mostram contrários aos legados civilizatórios.

“O mais curioso é notar que isso vem ocorrendo num mundo onde as informações pululam de todos os cantos, numa velocidade assustadora. O que, no mínimo, é um paradoxo. Como, com tantas informações, nossos legados civilizatórios parecem não mais existirem?”, indaga.

Ainda de acordo com Cândido, o radicalismo de opiniões praticamente impossibilita discordar do outro. “Dentre alguns dos principais efeitos, além da violência indiscriminada, é o radicalismo de opiniões. Discordar hoje é quase impossível. Temos, praticamente, que pesar a todo instante nossas opiniões e pensamentos, pressupondo sempre atos hostilizados. É como se um fantasma sempre permanecesse em nosso encalço” destaca.

Segundo o Cientista Político e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac) Nilson Euclides, a intolerância e o ódio se instalam porque encontram o ambiente propício para tal.

“Quando um grupo constituído de pessoas dominadas por esse ódio e intolerância e não apreço á democracia chega ao poder, elas chegam lá porque encontram um ambiente social favorável à emergência desse discurso”, diz.

Ainda de acordo com o professor todos os indivíduos estão sujeitos a desenvolverem as duas características por serem pessoas compostas de duas faces. O mesmo indivíduo podendo ser intolerante e tolerante.

“Determinados ambientes sociais, políticos e econômicos vai fazer aflorar um desses lados, é as vezes a sociedade sem perceber vai mergulhando nesse mundo de intolerância, de ódio, de eliminação, e de entender que aquele que pensa diferente como um inimigo a ser derrotado e eliminado” comenta Euclides.

De acordo com o professor, o que temos vistos nos últimos representa um risco para o futuro do país. “Não tenho a menor dúvida que isso representa um risco para o país. Estamos todos surdos, cegos e loucos caminhando em direção ao abismo, e não temos a mínima noção que esse abismo está bem ali a alguns metros, talvez nos próximos 30 ou 40 dias a gente caia dentro” diz.

O professor lembra ainda que apesar da maioria dos grupos usarem o radicalismo, o eleitor precisa filtrar os discursos para a partir daí fazer suas escolhas.

“O eleitor precisar tomar cuidado e fazer esse filtro que mesmo dentro desse discurso radicalizado é possível você identificar quais os limites de cada grupo, é a gente percebe muito bem que mesmo com o discurso radicalizados de contraposição de atacante, existe alguns grupos que ainda reside um pouco de consciência do que é a importância da democracia” destaca.

Para finalizar Nilson enfatiza que “ainda há tempo de fazermos desse processo eleitoral de fazermos desse processo eleitoral uma coisa mais responsável, é não uma coisa maluca como essa que que falei todo mundo surdo, cego e louco caminhando rumo ao abismo sem ter a menos noção do que está fazendo” comenta.

Charge