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terça-feira, 23 de junho de 2026
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Seminário discute potencialidades do bambu no Vale do Juruá

Seminário discute potencialidades do bambu no Vale do Juruá

Produtores rurais, técnicos de instituições de fomento à produção, pesquisadores, empresários e gestores públicos participaram do Seminário “Potencial da cadeia do bambu na região do Juruá”, em Cruzeiro do Sul, no dia 28 de setembro. Realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com a Embrapa, prefeitura e outras instituições, o evento debateu a gestão compartilhada deste recurso natural e alternativas de negócio sustentável para a região e proporcionou conhecimentos tecnológicos, mercadológicos e ambientais sobre a cultura do bambu.

A atividade faz parte do projeto “Taboca: o bambu do Acre”, executado pelo Sebrae com a finalidade de apoiar iniciativas voltadas para o uso do bambu como matéria prima principal ou complementar na produção comercial, para promover e disseminar conhecimentos sobre essa cadeia produtiva. Além de resultados de pesquisas sobre a produção de mudas e tratamento de bambu no Acre, a programação contou com relatos de experiências locais com a planta e informações gerais sobre o bambu no Brasil e no mundo, um mercado que não pára de crescer, envolve mais de quatro mil produtos e movimenta cerca de 60 bilhões de dólares ao ano, conforme dados da Rede Internacional de Bambu e Rattã (Inbar).

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Bambu (Aprobambu), Guilherme Korte, no Juruá existem cerca de 500 mil hectares de floresta com a presença de bambus nativos. Devido às condições locais de clima e solo, a planta apresenta desenvolvimento superior ao obtido em outras localidades do Brasil, podendo crescer até 40 centímetros por dia. “Esse recurso natural pode ser manejado de forma sustentável e gerar emprego e renda de forma contínua para famílias rurais da região. A região tem potencial para atender diferentes demandas, incluindo a produção de carvão ativado, um dos segmentos que mais cresce em torno do bambu, comercializado a 200 euros o quilo no mercado internacional”, ressalta.

Alternativas de produção

No Brasil existem cultivos comerciais de bambu no Maranhão, Paraíba, Pernambuco, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e Paraná destinados ao atendimento de demandas dos setores energético e industrial, indústria de celulose e de papel, construção civil e setor alimentício. No Acre, as poucas iniciativas de produção com bambu são restritas ao uso de bambu nativo e envolvem a confecção de laminados e cosméticos, em pequena escala, capitaneada pela Fundação de Tecnologias do Acre (Funtac), por meio do Centro de Vocação Tecnológica do Bambu (VCT Bambu), órgão implantado com recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia.

O Chefe-geral da Embrapa Acre, Eufran Amaral, participou do Seminário abordando o potencial do bambu no estado e suas múltiplas possibilidades de uso. O gestor destaca que, apesar das imensas reservas naturais de bambu existentes na Amazônia, esse produto não aprece nas estatísticas da produção extrativista brasileira. “O Acre possui quatro milhões e meio de hectares de florestas com bambu, mas a planta ainda é pouco utilizada. Uma alternativa para desenvolver a cultura é investir em empreendimentos locais para atender diferentes mercados, principalmente a construção civil, com a produção de colmos. Com apoio de instituições de fomento é possível instalar pequenas indústrias para processamento de bambu. O agricultor familiar pode ser fornecedor dessa matéria prima”, afirma Amaral.

Para a analista do Sebrae Ellen Aquino, coordenadora do projeto, o interesse crescente pelo bambu no Juruá gera a necessidade de criar estratégias conjuntas para vencer os desafios dessa cadeia produtiva. “Temos oferta, pessoas e instituições que desejam investir na cultura, no Acre, mas o desenvolvimento desse mercado requer, entre outras ações, políticas públicas que apoiem e incentivem a produção. É possível, por exemplo, incluir o bambu no Programa de Intensificação de Cadeias Produtivas Prioritárias para a região. A articulação entre produtores e gestores públicos é fundamental nesse processo”, explica.