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domingo, 14 de junho de 2026
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Fraude no INSS: agente da Polícia Federal é suspeito de escoltar investigados e facilitar esquema contra aposentados

O agente da Polícia Federal Philipe Roters Coutinho, servidor da corporação desde 1997, está no centro das investigações sobre um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que teria causado prejuízos milionários a aposentados. Ele foi afastado por decisão judicial junto a outros cinco servidores públicos por suspeita de participação no grupo que facilitava descontos indevidos nos benefícios de segurados.

A principal evidência contra Coutinho veio de imagens de câmeras de segurança do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, que mostram o agente escoltando, com viatura oficial da PF, o empresário Danilo Berndt Trento e o então procurador-geral do INSS, Virgílio Oliveira Filho. A escolta ocorreu em 28 de novembro de 2024, data em que os investigados embarcaram em um jato particular para Brasília — viagem que, segundo a Polícia Federal, foi custeada por Trento.

As investigações também apontam movimentações suspeitas feitas por Coutinho, como a compra de passagens aéreas de última hora e frequentes voos bate-volta, especialmente com destino à capital federal.

Antes de entrar na Polícia Federal, Coutinho atuou como advogado entre 1993 e 1997. Servidor de carreira, ele ocupou cargos de confiança, como em missões diplomáticas em Londres (2015–2018) e como membro da CPI das Bets, em 2024, que apura irregularidades envolvendo casas de apostas.

Danilo Trento e conexões com esquema bilionário

Danilo Trento, um dos escoltados por Coutinho, é velho conhecido das investigações federais: foi diretor da Precisa Medicamentos e esteve no centro da CPI da Covid em 2021, acusado de envolvimento em lavagem de dinheiro e irregularidades na compra da vacina Covaxin. No esquema atual, Trento teria recebido R$ 990 mil do empresário Maurício Camisotti, apontado como operador de entidades fantasmas que lucraram cerca de R$ 580 milhões aplicando descontos indevidos nas aposentadorias.

Virgílio Filho, ex-procurador-geral do INSS e também escoltado por Coutinho, viajou no mesmo avião custeado por Trento e foi afastado do cargo por determinação da Justiça.

Até o momento, apenas o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi formalmente demitido por participação direta no esquema.

A reportagem tentou contato com Philipe Coutinho, Danilo Trento e Virgílio Filho, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.