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terça-feira, 23 de junho de 2026
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Após prisão de servidores em operação da PF, deputados não aparecem na Aleac

Após prisão de servidores em operação da PF, deputados não aparecem na Aleac

Deputados não apareceram para sessão de quarta-feira (19). Servidores suspeitos de manterem contato com empresária presa e de participarem de pagamentos indevidos foram presos

Após a prisão de dois servidores da Assembleia Legislativa do Acre, na terça-feira (18), na Operação Hora Extra, da Polícia Federal, os deputados estaduais não apareceram na sessão da Aleac de quarta (19).

Uma equipe da Rede Amazônica esteve no local para saber se algum parlamentar iria comentar o assunto, mas não encontrou nenhum.

O gabinete da presidência estava fechado e sem ninguém para dar informação. A secretária-adjunta da Aleac recebeu a reportagem, mas informou que somente a presidência da Casa Legislativa poderia se pronunciar.

A ação da Polícia Federal cumpriu mandados de prisões e apreensões nos últimos dias 13, 14 e 18, para apurar possíveis fraudes nos contratos de publicidade da Aleac. Os servidores são suspeitos de manterem contato com empresária presa e de participarem de pagamentos indevidos.

Na primeira fase da Operação Hefesto, deflagrada no último dia 13 sete foram presas, entre elas a empresária e candidata a deputada federal, Charlene Lima. Já os dois servidores da Aleac foram presos preventivamente. Francisco Auricélio é diretor financeiro e Adalcimar Nunes é diretor-geral.

O advogado Marcos Vinícius Jardim, da defesa da empresária Charlene Lima, confirmou que ela continua presa. Segundo ele, a empresária e candidata a deputada federal se declara inocente.

“Charlene se declara totalmente inocente de todas as acusações, que serão devida e formalmente refutadas no momento e foros apropriados. Por ora, estamos concentrados e trabalhando por sua soltura”, disse o advogado.

A reportagem tentou contato com a Ordem dos Advogados e com a Aleac para saber quem são os advogados de defesa dos servidores presos, mas não conseguiu a informação.

Ocultação de provas

A Polícia Federal informou que os servidores são suspeitos de obstrução de Justiça e de ocultarem provas dos desvios nos contratos de publicidade. Segundo a polícia, um dos servidores está afastado de licença e o outro de férias.

Mesmo afastados, no dia em que a Operação Hefesto foi deflagrada, os servidores teriam ido até a Aleac fora do horário de expediente e saído levando volumes e mochilas da repartição pública.

Operações

A Operação Hefesto foi deflagrada no dia 13 de setembro. Ao todo, foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão e de prisão até terça-feira (18).

Conforme a Polícia Federal, o grupo criminoso teria fraudado contratos públicos relacionados ao serviço de publicidade. Eles também são investigados por tentativa de suborno a um servidor da Justiça do Trabalho para que o esquema criminoso não fosse descoberto.

Nesta terça, foi deflagrada a Operação Hora Extra, desdobramento da primeira, onde os dois servidores foram presos. Desta vez, a operação investiga crimes de corrupção, peculado, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações.

Suspensão de contratos

Após o escândalo envolvendo uma empresa de publicidade suspeita de fraudes em licitações e tentativa de suborno a servidor federal, a Aleac suspendeu a execução dos contratos com a empresa. A resolução foi publicada na edição desta quarta-feira (19) do Diário Oficial do Estado (DOE).

A Aleac informou que, desde terça, a empresa já não fez mais a filmagem e transmissão da sessão, que é um dos serviços prestados à Casa Legislativa. Segundo o órgão, caso seja confirmada a fraude, a empresa deve perder em definitivo os contratos. Já se as investigações apontarem que não houve ilegalidade, os serviços serão retomados.

Além de suspender a execução dos contratos, a Casa Legislativa determinou que a secretaria executiva indique servidores para compor comissão e instaurar processo administrativo que deve investigar caso.