O nível do Rio Acre continua baixando na capital acreana. De acordo com a Defesa Civil, na medição das 15h00 o manancial registrou 1,68cm, 4 cm centímetros a menos em comparação a medição do dia anterior, no mesmo horário.
Mais de 60 mil pessoas já foram atingidas pela cheia do Rio Acre, que é considerada a segunda maior já registrada na capital acreana. Cerca de três mil pessoas estão desabrigadas em escolas e no Parque de Exposições em Rio Branco.
O rio passou da cota de transbordo no último dia 23 de março. Já são 11 dias que está acima da marca de 14 metros.
O levantamento da Defesa Civil aponta que pouco mais de mil famílias estão desabrigadas, com isso, cerca de 3.221 pessoas estão em um dos 36 abrigos públicos montados em Rio Branco.
Além disso, 3.488 famílias com, aproximadamente, 11.510 pessoas estão desalojadas por conta da enchente.
Ao todo, 41 bairros da zona urbana de Rio Branco atingidos pela cheia do Rio Acre. Além disso, 27 comunidades rurais estão isoladas, com 7 mil pessoas de mais de 1,7 mil famílias.
Chuvas além do esperado
Março encerrou o mês com um acumulado de 585,9 milímetros de chuva. Esse número é mais que o dobro da média esperada, que era de 270,1 mm. Os dias mais chuvosos de março foram 23 e 24, quando o acumulado de chuva chegou a 187,2 milímetros em 48 horas. Estes dias foram, justamente, os que houve transbordo de igarapés e do Rio Acre.
Unidades de saúde fechadas
A Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco precisou fechar entre essa sexta-feira (31) e este sábado (1) cinco unidades de referência em atenção primária e unidades de saúde da família por conta da cheia do Rio Acre na capital.
Entre as unidades estão a Urap Augusto Hidalgo de Lima, no bairro Palheiral, a Urap Eduardo Assmar, no bairro Quinze, além da USF Triângulo Novo, USF Belo Jardim 3 e USF Aeroporto Velho.
Conforme comunicado postado nas redes sociais da prefeitura, a medida foi tomada por questão de segurança, uma vez que as águas do manancial já atingem as unidades, e deve perdurar até que a situação seja controlada.
Situação de emergência
Seis municípios acreanos decretaram situação de emergência: Rio Branco, Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri e Sena Madureira. No sábado, 25, o governo federal reconheceu a situação de emergência em Rio Branco por causa dos estragos causados pelas chuvas e nessa quarta (29) fez o reconhecimento da situação de emergência de Brasiléia, Assis Brasil e Xapuri.
Segunda maior alagação
A alagação de 2023 é a segunda maior enchente da história, segundo os registros da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM).
Confira os maiores níveis atingidos pelo rio desde 1988:
1988 – 17,12 metros
1997 – 17,66 metros
2012 – 17,64 metros
2015 – 18,40 metros
2023 – 17,70 metros (até a manhã deste domingo, 2, às 6h)
A cheia do rio Acre atingiu ainda os municípios de Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia, Xapuri e Sena Madureira. Neste domingo, o rio segue abaixo da cota de transbordamento nos municípios de Assis Brasil e Brasileia, marcando 7,72 metros e 7,62 metros, respectivamente.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar (CBMAC), 20.265 pessoas foram atendidas, 3.506 estão desabrigadas e 11.663 estão desalojadas.


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