Internações de crianças e adolescentes por Covid-19 triplicam no primeiro mês do ano

Em janeiro de 2021, foram 697 hospitalizações na faixa de zero a 19 anos, número que saltou para 2.122 no mesmo período deste ano.

As crianças e adolescentes internados com Síndrome Respiratória Aguda causada pela Covid-19 triplicaram no início deste ano em relação ao mesmo período de 2021.

Segundo dados do Ministério da Saúde, para o mês de janeiro, as hospitalizações saltaram de 697 para 2.122, na faixa entre zero e 19 anos. Já as mortes quase dobraram, saindo de 49 para 86.

Para especialistas em saúde, os números destacam a importância de acelerar a vacinação contra o coronavírus no público infantil. Entre eles está o médico Renato Kfouri, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações e da Sociedade Brasileira de Pediatria.

“Estamos no pior momento da onda, vendo o aumento de casos na população não vacinada. As crianças hoje, percentualmente e em números absolutos, vêm representando uma parcela importante desse público, aí a importância da vacinação. Nos adultos, como a gente já viu, a vacina previne os casos graves, hospitalizações e óbitos”, explicou à CNN.

Os boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde revelam que, em janeiro de 2021, foram 217 internações de crianças com menos de um ano; 198 do público entre um e cinco anos; e 282, entre 6 e 19 anos, chegando a 697 no total.

Já em janeiro de 2022, esses números saltaram para 718 hospitalizações de bebês com menos de um ano; para 627 de crianças entre um e cinco anos; e 777 na faixa entre 6 e 19 anos.

No caso das mortes, entre janeiro de 2021 e o mesmo período deste ano, o número subiu de 18 para 21, entre menores de um ano; de 7 para 20 mortes de crianças entre um e cinco anos; e de 24 para 45, entre crianças e adolescentes de 6 a 19 anos.

Impacto da Ômicron nas crianças

Em material divulgado pela Fiocruz sobre a ação da Ômicron sobre as crianças, Márcio Nehab, infectologista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Filgueira (IFF/Fiocruz), explica que ainda não é possível afirmar que a variante é mais grave para o público infantil. Segundo ele, para pais e médicos, é um desafio diferenciar a Covid-19 de outras doenças respiratórias comuns na infância.

“Os sinais e sintomas são exatamente os mesmos, e os pais precisam se atentar caso os filhos apresentem queda do estado geral, espirros, desidratação, diarreia, falta de ar, tosse, dificuldade para respirar e sinais clínicos de gravidade de qualquer outra infecção, seja respiratória ou gastrointestinal”, alerta.

No mesmo material, a pediatra e pesquisadora clínica do IFF/Fiocruz Daniella Moore, coordenadora do estudo VacinaKids, que analisou a intenção dos pais em vacinar os filhos contra a Covid-19, destacou a segurança dos imunizantes.

“Elas [crianças] precisam se vacinar e muito. Se nós compararmos as mortes de crianças e adolescentes por Covid-19 com as de adultos, especialmente com as de idosos, elas vão sempre parecer proporcionalmente baixas, mas a verdade é que essa faixa etária também fica grave e, inclusive, pode vir a óbito. Então, não temos dúvida de que elas precisam da vacina, não podemos perder crianças por uma doença imunoprevenível”, defende.

Vacinação de crianças contra a Covid-19 no Brasil

Desafios da vacinação

A campanha de vacinação infantil contra a Covid-19 está caminhando de forma desigual no país.

Enquanto São Paulo –com um estoque de Coronavac produzido no Instituto Butantan – conseguiu ultrapassar mais de 60% do público-alvo imunizado, Fortaleza, por exemplo, até a última sexta-feira (4), tinha menos de 10% das crianças com a primeira dose.

Com retomada das aulas presenciais, a vacinação ganha mais destaque. Nesta segunda-feira (7), crianças e adolescentes estão retornando às escolas em dez estados. O impacto do isolamento social para o desenvolvimento cognitivo, físico e emocional foi significativo na pandemia.

Atualmente, é consenso entre os especialistas a necessidade da volta às salas, mas com os cuidados necessários contra a Covid-19.

“Como estamos próximos do início da atividade escolar, talvez nem todas as crianças sejam vacinadas a tempo da retomada, por isso também que é fundamental que todas as outras pessoas acima de 12 anos envolvidas com crianças e adolescentes, incluindo os profissionais do ambiente escolar, sejam devidamente imunizados, sem esquecer de manter as outras medidas de prevenção, assim a tranquilidade e a segurança no retorno escolar vai ser maior”, orientou o médico Márcio Nehab em material divulgado pela Fiocruz.