Quinze pessoas foram condenadas por envolvimento em um esquema de fraude na produção de leite e derivados investigado na indústria de laticínios Dielat, em Taquara, no Vale do Paranhana, no Rio Grande do Sul. As penas variam de um ano e seis meses a 13 anos e quatro meses de prisão, por crimes relacionados à associação criminosa e à adulteração de produtos alimentícios.
De acordo com as investigações da Operação Leite Compen$ado 13, o esquema envolvia o uso de soda cáustica e água oxigenada para mascarar alterações em matérias-primas deterioradas. Também foram identificados o reaproveitamento de produtos vencidos e o armazenamento de mais de 800 toneladas de mercadorias em depósitos clandestinos.
Como funcionava a fraude no leite
A investigação identificou irregularidades na fabricação de leite UHT, leite em pó, compostos lácteos, soro e outros derivados. Segundo os investigadores, as substâncias químicas eram utilizadas para reduzir artificialmente a acidez de matérias-primas deterioradas.
Produtos vencidos ou considerados impróprios para o consumo também eram reaproveitados no processo de fabricação. Além disso, foram encontrados registros paralelos que, conforme a investigação, eram utilizados para ocultar irregularidades da fiscalização sanitária.
Veja as penas dos condenados
Antônio Ricardo Colombo Sader e Tales Bardo Laurindo receberam as maiores penas, de 13 anos e quatro meses de prisão cada. Gustavo Raimundo Lauck foi condenado a 12 anos e quatro meses, enquanto Sérgio Alberto Seewald recebeu pena de 11 anos e um mês.
Daniel Silvério Junior, Everson Cavalheiro e Jonatas Ramalho Hinschink foram condenados a 10 anos e dois meses de prisão cada. Leonarda Manuela Peters recebeu pena de sete anos e oito meses.
Deroci Vicente Dutra da Silva Filho foi condenado a quatro anos e um mês. Manoela Schilling Flesch e Eduarda Luiza da Silva Rosa receberam penas de três anos e dez meses cada. Milena Maiara da Silva foi condenada a três anos, sete meses e 15 dias.
Adrieli Vitória de Mello recebeu pena de dois anos e cinco meses. Kennedy Saratt Leiria e Alaete Girardi foram condenados a um ano e seis meses de prisão cada.
Operação investigou fraudes na cadeia leiteira
Deflagrada em 2024, a Operação Leite Compen$ado 13 marcou a retomada das ações do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) contra fraudes na cadeia produtiva do leite após mais de sete anos desde a fase anterior.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão no Rio Grande do Sul e em São Paulo.
A investigação foi conduzida pelos promotores de Justiça Mauro Rockenbach e Alcindo Luz Bastos da Silva Filho. Conforme a sentença, parte dos envolvidos recebeu benefícios previstos em acordos de colaboração premiada.


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