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Sindicalista abandona família por conta de ameaças de facções criminosas

Sindicalista abandona família por conta de ameaças de facções criminosas

Nos últimos anos, o sindicalista José Janes, presidente da Associação dos Servidores do Sistema Penitenciário do Acre (Assepen/AC) mudou totalmente sua rotina de vida e vem vivendo um verdadeiro drama ocasionado pela guerra das facções criminosas que disputam o controle do tráfico de drogas no Estado.

Janes é um dos ameaçados de morte pelos integrantes dos grupos criminosos, que tem promovido verdadeiro banho de sangue na capital acreana. Por conta das ameaças sofridas, o sindicalista se viu obrigado a abrir mão do convívio com a família e agora vive cada dia em um local diferente, na tentativa de resguardar sua integridade física.

“Estou pagando um preço alto por defender a minha categoria, que é tão desvalorizada pelo poder público e até mesmo pela sociedade, nessa guerra contra as facções. Para resguardar a vida das pessoas que amo decidir ‘abandonar’ minha família. Esposa e filho foram passar uma temporada com parentes fora do Estado e evito manter contato com outros familiares, pois temo que alguns desses bandidos queiram se vingar de mim fazendo mal a eles”, comentou o sindicalista.

Na última quinta-feira, 3, José Janes recebeu mais uma ameaça de morte via mensagem de voz pelo WhatsApp. No áudio, um membro de uma das facções pede a mobilização de outros membros da organização para realizarem ataques em série, como depredação e incêndios a prédios públicos e ônibus. Em uma parte da gravação o bandido diz que “Tem que pegar esse cara, presidente dos agentes penitenciário e estourar a cabeça dele de tiro”.

A ameaça foi feita depois que José Janes concedeu entrevista a uma emissora de TV local sobre as falhas existentes nos bloqueadores de sinais de celular instalados nos presídios Antônio Amaro Alves e Francisco D’Oliveira Conde, pelo governo estadual por meio da Secretaria de Segurança Pública (Sesp).

Os ataques ocorreram no sábado, dia seguinte à divulgação do áudio contendo as ameaças. Durante as ações criminosas, quatro pessoas foram executadas e quatro ônibus incendiados. Em entrevista coletiva, o secretário de Segurança Pública, Emylson Farias afirmou que as falhas dos bloqueadores já haviam sido corrigidas e que desde terça-feira, 1º de agosto “o escritório do crime estava às escuras”, referindo-se a falta de comunicação dos presos de dentro das penitenciárias com o mundo externo.

Farias afirmou ainda que as ameaças sofridas por ele e por outros operadores da segurança pública não farão que as ações adotadas pelo Estado Polícia sejam recuadas.

“As ameaças sofridas por mim ou por qualquer outro operador da segurança pública não nos fará recuar, nós continuaremos enfrentando a criminalidade de forma enérgica, o crime no Acre não vai prosperar”, disse o secretário durante coletiva de imprensa.

Quanto ao sindicalista José Janes, que também é agente penitenciário, vem recebendo apoio e ajuda dos amigos que se revezam de dois em dois para fazer sua segurança diuturnamente. Janes passou a usar colete balístico sob a roupa e a cada dia dorme em um local diferente, na tentativa de evitar possíveis ataques das facções.

 

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