960x100 basa novo

No Acre, reservas florestais e unidades de conservação sofrem com focos calor

No Acre, reservas florestais e unidades de conservação sofrem com focos calor

Praticamente o Brasil todo vem sofrendo com as queimadas. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, o país registrou neste fim de semana 185.002 focos de incêndio, 52% a mais do que o registrado no mesmo período do ano passado –e são hoje a situação mais desconfortável para o Estado. As queimadas também não poupam as Unidades de Conservação. As chuvas tem sido boa notícia para o meio ambiente no Acre. 

A Reserva Extrativista Chico Mendes é a UC com mais focos de incêndio do país mas a Floresta Estadual do Antimary registrou cinco pontos de calor nos últimos dias. O fogo atinge todos os biomas brasileiros, de acordo com os dez satélites que monitoram as queimadas no país, mas se concentram na Amazônia, com 43,4% dos focos de incêndio, seguida pelo Cerrado, com 39,6%; e pela Mata Atlântica, com 10,6%.

Com 3204 focos registrados pelo Inpe neste domingo, 24,o mês de setembro de 2017 no Acre está prestes a se igualar a setembro do ano passado, quando os registros de fogo vinham em curva crescente e encerrou o mês com 3.585 focos.

Em números absolutos, no entanto, o ranking do fogo nacional é liderado pelo Pará, com 40.228 focos de incêndio; seguido pelo Mato Grosso, com 34.705; e pelo Maranhão, com 20.348. O Pará é também o estado que mais aumentou o foco de incêndios em relação a si mesmo: 233% em relação ao mesmo período do ano passado; seguido por Maranhão (93%); e São Paulo (76%).

Mas qual é a causa real destes incêndios, que destroem a biodiversidade, causam inúmeras doenças respiratórias e liberam para a atmosfera uma grande quantidade de gases de efeito estufa? De acordo com o coordenador do Programa de Queimadas e Incêndios do Inpe, Alberto Setzer, é totalmente errado atribuir a causa do fogo ao clima seco ou a causas naturais. “Raios e fenômenos espontâneos são responsáveis por, no máximo, 1% dos focos de incêndio registrados”, disse. “A baixa umidade do ar apenas cria condições favoráveis aos incêndios, mas é a ação humana que causa a queimada”, afirmou Setzer.

Segundo o pesquisador, até aquele descuido “acidental” não pode ser considerado uma causa comum das queimadas. “Não é a bituca de cigarro que bota fogo na floresta, o caco de vidro ou a latinha de alumínio expostos ao sol; em geral é alguém botando fogo mesmo”, disse.

Setzer lembra que as queimadas são precursoras do plantio de grãos e fazem parte do ciclo de expansão da fronteira agrícola. Elas normalmente sucedem o corte raso da floresta e fazem parte do processo de posse ilegal de terras públicas. “Limpar” a terra, como se sabe, é o primeiro passo para forjar algum vínculo com o espaço que se deseja ocupar.

Especialistas dizem que 2017 têm grandes chances de se tornar o ano com mais queimadas das últimas duas décadas. Os focos de incêndio são, também, o prenúncio de uma taxa de desmatamento que deve se mostrar tão elevada quanto em 2016, e de uma taxa de emissão de gases bem acima do nosso compromisso com o planeta.

 

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

voltar ao topo