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Mulher sofre de amnésia rara e conta com o apoio do marido para superar problema

Mulher sofre de amnésia rara e conta com o apoio do marido para superar problema

A história a seguir parece retirada de narrativas de novelas. Mas não é! A assistente social Rosiane Lima, 30 anos, sofre de uma rara amnésia que a fez dormir numa terça-feira de setembro de 2015, com 28 anos, e acordar como se tivesse 14.

Simplesmente, não se lembra de nada que vivera após essa idade. E aos 29 anos sofreu outra crise zerando de uma vez a sua memória até os 14 anos. Agora não se recorda dos pais, dos irmãos, nem dos filhos e muito menos do marido, Leandro Lomas, com quem vive há quase sete anos.

A partir daí sua rotina tornou-se de consultas e diagnósticos imprecisos. De Segundo Lomas, os médicos que já a avaliaram não sabem dizer ao certo o que lhe causou a perda de memória.

“Um psiquiatra disse que provavelmente foi um bloqueio por causa da depressão, quando o cérebro dela passou a reagir dessa maneira”, diz o marido.

Mas ainda segundo o esposo, outra profissional também arriscou a dizer que “pode ter sido algo que venha desde a infância é que por causa de problemas dela no dia a dia fez com que isso acontecesse”.

MAT RIA ESPECIAL DRYELEM FOTO JUAN DIAZ 4“O fato é que realmente ela vinha dando sinais de algo não estava bem. Às vezes saía para trabalhar e no caminho esquecia o que estava indo fazer. Então me ligava. Eu deixava tudo que estava fazendo onde estivesse e ia buscá-la para trazer pra casa”, conta o marido.

Desde então, não tem sido fácil para a assistente conviver com pessoas de seu convívio, mas que para ela são estranhos.

Atualmente, grávida de quase sete meses, evita sair de casa, a não ser que seja pra consultas médicas. Rosiane conta que chegou a passar por três consultas médicas por semana.

Afirma que era cansativo sair com a filha para os consultórios e que hoje em dia tem crise de pânico quando está próxima de muitas pessoas.

“Hoje, eu sou um problema. Apesar de ter médicos e remédios, tem dias que estou insuportável, que não quero falar com ninguém e meus familiares não entendem isso”, lamenta.

Entre as situações que passaram a acontecer daquele setembro de 2015 pra cá estão o esquecimento de coisas corriqueiras como temperar uma comida.

“Não posso ir só pra cozinha fazer as refeições para a família, pois sempre esqueço algo. Já cheguei a trocar o açúcar pelo sal e vice-versa. Se não tiver alguém me acompanhando, deixo as panelas no fogo e esqueço”.

MAT RIA ESPECIAL DRYELEM FOTO JUAN DIAZ 8O amor é paciente

Leandro Lomas tem fala calma e é paciente. Não desistiu da esposa em momento algum. Conta até que teve que fazê-la se apaixonar de novo como no filme Para Sempre (2012), longa baseado numa história real, e que conta o drama de um casal norte-americano, cuja esposa perdeu a memória em um acidente.

“Seria muito fácil eu deixar ela pra lá e interná-la num hospital psiquiátrico. Mas não, quando casamos foi dito que era na saúde, na doença, na alegria, na tristeza. E eu luto pelo que eu amo, que é ela”, afirma Lomas com a generosidade de quem tem o coração cheio de virtudes.

Para a esposa, as demonstrações de carinho foram fundamentais para a reconquista.

“Primeiro pelas ações, provou ser um homem de verdade, porque ficou do meu lado, mesmo com tudo que eu estava passando. Eu não tinha família, amigos, aí no momento que mais precisei, vi quem estava do meu lado. E somente quem ficou foi ele e a cada dia ele foi provando que gostava de mim, pois ali eu não tinha nada a oferecer a não ser problemas”, relata Rosiane.

Por várias vezes ela pediu para ser internada, mas nas vezes em que os médicos pediram sua internação o marido não autorizava.

“Quando ela está nervosa e agitada eu digo pra descontar em mim, se quer bater, me bata. Pois quando nos conhecemos eu olhei pra ela e disse que ela era o amor da minha vida e eu queria casar com ela. E mesmo ela dizendo que não me amava eu a disse que o amor não nasce de uma hora pra outra, ele é construído”, falou Leandro.
Para o marido, o amor não tem preço e por ver a mulher que ama sofrendo já pensou até em tirar a vida de toda família.

“Eu dei esse testemunho na igreja. Vi um caminhão vindo a nosso encontro e pensei em puxar ele e nos jogarmos na frente daquele carro. Eu sei que seria um crime perante Deus, mas pelo menos ela estaria salva e eu condenado, pois era uma coisa involuntária da parte dela e voluntária minha”, relembra.

Após o nascimento da bebê, que Rosiane espera, a família irá se mudar para o Rio de Janeiro em busca de um tratamento e um diagnostico mais preciso.

“Lá no Rio não vamos pagar aluguel, pois temos um apartamento mobilhado. Vamos também no Instituto do Cérebro em busca da solução para esse caso, e se não tiver jeito, não tem problemas. Vou continuar amando e lutando por ela e por nossa família”, diz Lomas.

Última modificação emSegunda, 19 Junho 2017 03:27

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