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Cimi vê destruição de tribos com estrada peruana que passa pela fronteira do Acre

Cimi vê destruição de tribos com estrada peruana que passa pela fronteira do Acre

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou nesta segunda-feira, 29, uma carta condenando o projeto de implantação da estrada que liga as localidade de Porto Esperanza, na fronteira do Acre com o Peru e a Bolívia. A carta apoia a mobilização de organizações ambientalistas e de defesa dos direitos dos povos indígenas e populações tradicionais, que avaliam ser muito negativos os impactos a esses povos.

Conforme lembra o Cimi, o projeto de construção da estrada Puerto Esperanza a Iñapari, localizada na tríplice fronteira amazônica de Peru com Brasil e Bolívia, mesmo com o posicionamento contrário das organizações indígenas, já foi aprovado pelo Congresso peruano e encontra-se nas mãos do Executivo para ser sancionado ou devolvido. O traçado previsto da estrada acompanha tanto a fronteira seca entre Peru e Brasil como a fronteira definida pelo rio Acre entre ambos os países e atravessa as cabeceiras dos rios Acre, Iaco, Chandless e outros que cruzam a linha de fronteira seca.

“Caso construída a estrada trará enormes impactos socioambientais bilaterais (Peru-Brasil). Os impactos diretos e indiretos não ocorrerão só do lado do Peru, onde a estrada seria feita, mas também serão fortes do outro lado da fronteira, no lado do Brasil (Estado do Acre), afetando os povos indígenas da região e seus territórios, as comunidades ribeirinhas e camponesas, os rios e florestas da região, assim como a fauna e flora. Esta região de fronteira é onde fica grande quantidade de madeiras nobres como mogno e cedro entre outras”, diz o Cimi.

Ainda de acordo com o Conselho, a experiência na Amazônia mostra que no rasto das estradas, que cortam a floresta, vem o desmatamento ilegal de madeireiras, a contaminação dos rios e igarapés por causa da mineração e do garimpo, o aumento da colonização e conflitos fundiários, assim como a intensificação e criação de novas rotas de narcotráfico que incidem sobre territórios de índios isolados e o tráfico humano.

Várias tribos isoladas têm como território tradicional esta região transfronteiriça Amazônica Peru-Brasil, entre o Alto Rio Purus, Alto Chandless, Alto Iaco, alto Acre, Alto Thaumaturgo e Alto Rio Piedras.

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