A irmã educadora do Colégio São Francisco

A irmã educadora do Colégio São Francisco

Irmã Verônica vai voltar para casa no fim do ano. Terminou a sua missão em Mâncio Lima. A paranaense de Wenceslau Braz, que leva na certidão de nascimento o nome de Cacilda Maria da Costa, usa do comedimento para disfarçar a alegria do reencontro com a família que não vê há muito tempo, ao mesmo tempo em que bate o lamento de ter de deixar o povo que ela ama.

Aos 56 anos, a irmã da Ordem Dominicana do Colégio São Tomaz de Aquino passou 25 deles servindo à comunidade escolar da cidade acreana mais ocidental do país.
Em linha reta, o Colégio São Francisco, onde ela vive e trabalha está a exatamente 3.051 quilômetros da sua casa, segundo o Google Map.

Chegou ao Acre aos 31 anos para servir no prédio construído por padres alemães em 1941, quando Mâncio Lima ainda era a Vila Japiim. Pedagoga de formação, até o ano passado lecionou geografia, português e ensino religioso. Foi promovida a gestora e vai se aposentar em dezembro.

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O colégio São Francisco ainda é impecável como 76 anos atrás. Suas paredes internas ostentam azulejos europeus trabalhados como na Renascença e o piso é ornado em pedras rústicas dos anos 40. Pode-se dizer que a escola reflete muito da personalidade de Verônica, porque ela se apresenta para falar com um limpel impecável, um capuz reluzente e o hábito igualmente vistoso.

O ‘limpel’ é como se chama as vestes brancas das irmãs, e que em latim significa ‘linho puro’. O ‘capuz’ é o corte de tecido que protege a cabeça e que é preso a uma túnica com o nome de ‘hábito’, também conhecido entre nós por batina.

Com a humildade e a sapiência que lhe são peculiares, a freira exerce um papel fundamental na ordem e na disciplina da escola. É muito respeitada pelos alunos e professores da instituição e entende que educação se faz com perseverança e com muita vocação.

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E ao ser instigada a fazer um paralelo entre a educação tradicional e a que se pratica hoje com tecnologias como laboratórios de informática e internet, irmã Verônica torce o nariz. Entende que elas são importantes, mas tem ressalvas em sua cabeça.

– Nada substitui o livro didático. Nada é tão bom quanto a leitura de um bom livro, ressalta, sem, no entanto, discriminar quem ache bom a modernidade.

– Quem pensa que educar um dia será uma coisa fácil está enganado. Não há tecnologia que dê jeito quando não se tem motivação numa sala de aula.

A campainha toca para o intervalo. Hora de cuidar da ordem na fila do lanche. Irmã Verônica levanta do banco e vai fazer o que mais gosta: servir aos estudantes ao lado das merendeiras da cantina.

Sonha com os seus em Wenceslau Braz, mas confessa que deixar o Colégio São Francisco, de Mâncio Lima, vai ser muito difícil. Uma dor incompreendida. Afinal, foi um quarto de século dedicado à comunidade.

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