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Estado realiza ações pedagógicas em escolas de difícil acesso na zona rural

Estado realiza ações pedagógicas em escolas de difícil acesso na zona rural

O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Esporte (SEE), realizou o Segundo Itinerante, um conjunto de atividades nas escolas rurais de dificílimo acesso do nosso Estado. Além das ações pedagógicas, também a entrega de merenda e materiais de apoio. 

Sob a orientação da Coordenação de Ensino Rural da SEE, as atividades foram realizadas pelos assessores pedagógicos Maurisete Fernandes, Benedita Mourão, Paulo Souza e Josiléia Silva, sob a orientação do coordenador de gestão Leandro Cerqueira.

O Segundo Itinerante foi realizado nas escolas rurais Verdes Florestas, Oriente, Pracaúba, Manoel da Cunha Neto e Recife I. No verão amazônico, o acesso se dá pelos ramais Jarinal (cuja entrada é no km 70 da Transacreana), Oriente e Nova Olinda e, no inverno, pelo Riozinho do Rola.

Nelas funcionam, além das salas multisseriadas, também o Programa Asas da Florestania, oportunizando, inclusive, o ensino médio para os jovens dessas localidades. Ao todo são mais de 300 alunos que não precisam sair de suas comunidades para avançar nos estudos.

Embora essas escolas estejam dentro dos limites do município de Sena Madureira, elas são assistidas pela equipe de Rio Branco. “Aqui na capital realizamos essas atividades itinerantes, mas o acompanhamento pedagógico é feito em todos os municípios do nosso Estado”, explica o coordenador de Ensino Rural, Ricardo Oliveira.

Ouvindo a comunidade

Além do acompanhamento, o professor Ricardo Oliveira aproveitou a oportunidade para se reunir com a comunidade na Escola Pracaúba e ouvir as demandas e os anseios da comunidade, o principal deles diz respeito ao transporte, uma vez que muitos alunos chegam a andar mais de 10 km para estudar.

Ele explicou que a SEE já realizou a medição da rota a ser feita (em torno de 34 km diariamente) e a aquisição do veículo já está em processo de licitação. Agora, segundo o coordenador de Ensino Rural, é esperar os prazos legais. “Se ninguém contestar o resultado, até o final de setembro já teremos o resultado”, afirmou.

Outros investimentos nas escolas rurais de difícil acesso também estão sendo realizados pelo governo do Estado, como a melhoria da infraestrutura e o aumento das salas de aula para receber mais alunos.
Ricardo Oliveira aproveitou a reunião para elogiar tanto o empenho e dedicação dos professores quanto dos alunos, que demonstram muito interesse na aprendizagem. “A gente percebe que aqui nesta localidade o processo de ensino-aprendizagem está acontecendo”, disse.

Amor à Educação

Na escola rural Pracaúba, o amor pela educação pode ser visto pela dedicação dos professores Antônio José Diniz e Silvana Diniz. São casados e trabalham na comunidade há quatro anos, desde a inauguração em setembro de 2013.

Eles ministram aulas dentro do Programa Asas da Florestania. Ela para uma turma de sétimo ano do ensino fundamental e ele para uma turma do primeiro ano do ensino médio. Além de professores, também são ministros da palavra na Igreja Nossa Senhora da Conceição que, na semana, funciona como sala de aula.

Eles não estão sozinhos. Outro casal que dedica seu tempo à educação é o Eliudes de Matos Silva e a Elizabete Rodrigues. Eles são casados há três anos e trabalham na Escola rural Recife I, considerada a mais distante e a de acesso mais difícil. “A gente vai na cidade apenas uma vez por mês”, comenta Eliudes.

Embora estejam na localidade há apenas um ano, Elizabete diz que está gostando de dar aula no local. “A gente aprende muito com eles e também é mais valorizado, por isso quando a gente chega na cidade já dá vontade de voltar”, faz questão de dizer.

Na Recife I estudam 61 alunos, em dois turnos de aulas (manhã e tarde). Elizabete e Eliudes ministram aulas dentro do Programa Asas da Florestania para os sexto e sétimo anos do ensino fundamental e também para turmas multisseriadas.

Jeza, a faz tudo

Nas escolas de rurais, sobretudo as de difícil acesso, é preciso amor e dedicação para que a educação possa acontecer. Na escola Pracaúba, uma dessas pessoas é a Maria José Maciel do Nascimento, a Jeza.

Há cinco anos ela trabalha como servente da escola, mas também é responsável pela merenda. Também é a “médica”, faz parte do grupo de dança da comunidade e até ajuda nas tarefas escolas dos alunos.
Jeza nasceu na própria comunidade e antes de ser a “faz tudo” da Pracaúba, ela trabalhou como professora do programa de alfabetização Mova e como Agente Comunitária de Saúde (ACS), então contratada pelo município de Sena Madureira.

“Eu estudava, fazia o primeiro ano do ensino médio, mas tive que parar por enquanto, porque aqui a gente faz de tudo um pouco, até ‘médica’ e ‘psicóloga’ a gente é para os alunos”, faz questão de dizer.

Um exemplo de vida

Para quem acha que estudar não vale a pena, que já não dá mais tempo para se alcançar os objetivos de vida, precisa conhecer a história da dona Cecília Figueiredo da Silva, de 56 anos.

Ela nasceu no seringal Sacado, colocação Maloca, no município de Sena Madureira. Por muitos anos, faltou a ela a oportunidade de estudar. O tempo passou, casou e teve que criar os filhos e netos.

Agora, a sua realidade é um pouco diferente e as condições da educação também. Por isso, ela se sente à vontade para estudar com crianças que poderiam muito bem ser seu netos em uma sala multisseriada. Ela faz o quarto ano do ensino fundamental I e não pensa em parar.

Mãe de três filhos, ela quer chegar longe. O ensino médio não é o seu limite. Sonha em fazer uma faculdade ainda. “Meu pai não deixou a gente estudar porque lá no (rio) Iaco era muito longe da escola, mas agora estou lutando para conseguir”, disse ela.

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